segunda-feira, 21 de junho de 2010

OS SERESTEIROS



                           Na década de 40, estudava em Mossoró, no colégio diocesano Santa Luzia. Todos os anos, nas férias escolares vinha para aqui, como faziam os outros jovens que estudavam em outras plagas. Pau dos Ferros era uma cidades pequena, sem opções de lazer. Os estudantes de então, se reunião e movimentavam a vida social da nossa comunidade, através de futebol, dos bailes familiares, de picnikc e banho de açude nos sítios vizinhos e das famosas serenatas, que alegravam as madrugadas das noites enluaradas de nossa cidade. Na época, existia um grupo de jovens, amantes das músicas românticas de outrora, admiradores dos cantores seresteiros como: Orlando Silva, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Dalva de Oliveira e outros. Admirador de serenata gostava de acompanhar este grupo, formado por: Godescardo de Freitas Nobre, Rosálio de Freitas Nobre, Vicente Silva, Mundinho Laurentino, estudantes na época e algumas vezes Lilia do padre, cantora sacra. Eram eles que embelezavam as nossas madrugadas, sob o manto prateado da luz da lua que cintilava no firmamento, inspirando jovens cantores. Eram eles, que ressuscitavam emoções, renovavam inesquecíveis lembranças e acordavam em nossos corações gratas recordações. A voz maravilhosa e romântica dos nossos seresteiros, acompanhada ao som dos violonistas Antonio Silva, Soldado de policia, Vicente Dias funcionário do DNOCS, enchiam de alegria e emoções os corações dos ouvintes, das jovens, algumas delas namoradas dos seresteiros, que acordavam abriam as janelas de suas casas para sentirem de perto a beleza e o facinio das melodias das músicas românticas que facinavam a todos.
                        Eram eles que nos finais de semana, a noite, faziam um programa musical na Amplificadora do Município, que funcionava no pavilhão da praça, cantando as músicas de sua época, irradiadas para toda a cidade. Outras vezes, a cidade despertava de seu silêncio, para ouvir e sentir na alma a beleza das serenatas de Lourival Cavalcante, de saudosa memória, maestro da banda de música municipale de josé Ribamar funcionário do Banco do Nordeste de nossa cidade, que deslumbravam os nossos corações com a magia do som dos seus saxofones de ouro, que também alegravam da mesma maneira as madrugadas enluaradas das noites calmas, bafejadas pela brisa serena e amena, deslizando e refrescando a nossa pele.
                       Era dessa maneira que os jovens de outrora, participavam da vida social da comunidade, mesmo nas caladas da noite, longe da desordem, da baderna e da violência, respeitando o sossego, o sono e a tranquilidade da cidade que dormia.

Pau dos Ferros/RN 15/02/2008 


Por Dr. José Edmilson de Holanda

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