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sábado, 12 de novembro de 2016

PAU DOS FERROS NAS PÁGINAS DOS LIVROS


Pesquisar. Escrever. Editar. Publicar. São quatros elementos árduos que nem todo mundo quer enfrentar, no entanto, todos precisam e, com razão, querem e têm o direito de usufruir... Tudo evoluiu, exceto os olhos do poder público e das entidades públicas e privadas para essas atividades que podem e devem, de verdade, marcar e ser preponderante na formação da identidade e da cultura de um povo. Fazendo com que até se vote melhor... eita! 

Deixando a peixeira de lado, vamos ao ano de 1956... Tempos de muita festa em Pau dos Ferros... Era o centenário de nossa cidade e o bi-centenário de nossa paróquia, a construção do Obelisco... Muita coisa. Nesse ano, parece que a cidade se emancipou literariamente, tornou-se a cidade dos livros. Foi o período em que mais se produziu literatura em Pau dos Ferros, isso mesmo, há 60 anos... Foram 4 produções em um ano só... A imagem acima é do livro "Pau dos Ferros Centenário - Sinopse -" do autor Alberto Mendes de Freitas, Editora Comercial, com prefácio do então promotor de justiça da comarca da cidade, José Fernandes Dantas, o Ministro Zé Dantas, que foi ministro do STF (Superior Tribunal Federal). O autor, Alberto Mendes, é natural de Governador Dix-Sept Rosado, mas residiu em nossa cidade, era funcionário do IBGE, à epoca, funcionário da estatística como se dizia. Depois, fora transferido para São João do Sabugi, onde lançara um livro semelhante, uma sinopse histórica, da cidade de São João do Sabugi.

                                                              Homenagem do autor

No 56 festivo, também fora lançado a "Revista Comemorativa do Bi-Centenário da Paróquia e Centenário do Município". Foram vários os organizadores e colaboradores: Cônego Manoel Caminha Freire (que depois se tornaria monsenhor), Padre Raimundo Caramuru, Dr. José Fernandes Dantas, professor Manoel Jácome de Lima, e José Guedes do Rêgo. A revista trata da história religiosa e eclesiástica da paróquia e dos 100 anos da história da cidade. 


Mais recentemente, no ano de 2015, a editora Sebo Vermelho, de Natal-RN, republicou uma edição robusta e exuberante de nossa revista, fato de grande importância, que só ganharam conhecimento aqueles pauferrenses mais atentos e os mais apaixonados, os que valorizam o babado. Obrigado, Sebo Vermelho, valeu, Abimael!


Outra produção importante, em âmbito acadêmico, foi a monografia de Manoel Jácome de Lima, O alexandriense que marcou história em nossa terra, o Professor Duba, como era conhecido.... Seu trabalho, inclusive, foi usado como fonte bibliográfica para municiar as outras produções.


Dando um pulo histórico de vários anos, no ano de 1987, José Jácome Barreto lançava "Pau dos Ferros", um livro mais completo, com uma perícia apurada, com dados e traços históricos laboriosos. José Jácome era filho do Professor Duba, herdou a missão e a sapiência do pai, seguiu no caminho das letras, lançou também um livro semelhante com um apanhado histórico para cidade de Canguaretama e outro da cidade de Portalegre.


Onze anos depois, em 1998, dois sonhadores apaixonados entraram na empreitada de pesquisar e editar algo sobre nossa cidade... "Pau dos Ferros: Enfim uma cidade", um livro leve, diferente, cheio de peculiaridades, curiosidades das mais inocentes possíveis, recheado de dados históricos, geográficos, econômicos, esportivos, culturais, uma obra que merecia muito mais atenção... Os autores são: Francisco Edivan Silva, hoje escritor renomado na área do empreendedorismo e da motivação, e o Professor José Geraldo da Silva, o professor Geraldo, que uma hora dessas deve estar mexendo nas suas pilhas de papel para organizar e atualizar seus dados sobre nossa cidade. Quer saber algo sobre nossa cidade? Conheça o mestre Geraldo. Ambos serão motivo de outros artigos, assim como todos os autores aqui citados. A obra teve como prefaciante, o grande professor Leontino Filho.


Passando para o ano de 2011 e saindo da área de pesquisa, nos debruçamos sobre duas obras saudosas que deram um tom maior no memorialismo da cidade, escritas pelo autor ocular e presencial, o ex-prefeito de Pau dos Ferros por dois mandatos, José Edmilson de Holanda. "Pau dos Ferros: Crônicas, Fatos e Pessoas", já traz em seu nome o conteúdo dessas duas obras escritas em dois volumes. Nelas, personalidades, tipos folclóricos da cidade, uma Pau dos Ferros arcaica e saudosa em seus fatos e costumes, são proseados pelo grande "Dotô Zé Dimilson", ambas foram editadas com apoio da prefeitura municipal, como deve ser, né não?!



Por fim, deste artigo, não dos livros publicados, porque ainda virão muitos, com fé na energia maior... Nasce em 2013 o "Pau dos Ferros à sombra da oiticica" uma odisseia em versos de cordel. Síntese em septilhas, de versos heptassílabos, com fotos antigas e uma longa pesquisa realizada pelo autor, o poeta Manoel Cavalcante. O livro, numa edição independente, com ilustração da capa feito pelo artista pauferrense Alcivan Marcelo, saiu pela Editora Offset, de Natal, e conta a história da cidade resgatando fatos de 1717 a 2012, usando, obviamente, todo o aparato literário anterior, além de entrevistas e depoimentos orais de grandes conhecedores de nossa história. A obra teve como prefaciante, o mestre Israel Vianey (in memorian), outro grande ícone de nossa terra.


Chegamos a 2016 quase 2017, com esse panorama literário, com um acervo faminto e escasso e com a boa vontade de algumas pessoas em preservar nossa memória. Onde estão esses livros? Nas escolas da cidade? Nas bibliotecas municipais? Os alunos, os munícipes em geral têm acesso a sua própria história? São perguntas intrigantes que todos devem fazer... Ainda existem outros que direta e indiretamente falam, com detalhes ou não, de nossa terra, ei-los: "Massilon", de Honório de Medeiros; "Quem matou Odilon Peixoto?", de José Sávio Lopes; "O Guerreiro do Yaco", de Calazans Fernandes; "Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte", de Kydelmir Dantas e muitos e muitos outros, como o romance Cangaceiros, do grande José Lins do Rêgo, motivo de matéria pretérita aqui.

No mais, é isto.. "E melhor do que isto, só Jesus Cristo, que não entendia de finanças nem constava ter biblioteca".

Por Manoel Cavalcante








segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CURIOSIDADES HISTÓRICAS DA POLÍTICA DE PAU DOS FERROS

Prefeito:



O primeiro prefeito de Pau dos Ferros foi Francisco Dantas de Araújo. Eleito em 1929, mas deposto na Revolução de 30.

A primeira prefeita mulher:

Eulália Fernandes Bessa foi prefeita de fevereiro a março de 1946. Infelizmente não dispomos de fotos dessa personagem histórica.


Vereadora e eleitora:



A professora Joana Cacilda Bessa, uma apodiense nascida no então povoado e atual município de Itaú no dia 26 de setembro de 1898, filha de José Marcolino Bessa e Emília Rosa Botão. Ela foi a primeira eleitora de Pau dos Ferros, em 1927 e a primeira intendente municipal Potiguar, atual cargo de vereador, eleita em 2 de setembro de 1928, com 725 votos, pelo município de Pau dos Ferros, e tomou posse em 2 de fevereiro de 1929. Supõe-se que a primeira vereadora do país.

A Vereadora mais votada da história:



Marta Maria Pontes Feitosa Chaves, nossa Marta da 36, foi a vereadora mais votada da história, recebendo 1210 sufrágios, o que representou 8,45% do total de votos nas eleições de 2004.


Mais vezes na câmara:



A campeã de mandatos na Câmara Municipal de Pau dos Ferros é a vereadora Tércia Maria Batalha. Foram 7 mandatos de vereadora: 1983, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004 e 2012.

Mais novo prefeito:


Leonardo Rêgo foi eleito em 2004, com 28 anos de idade, sendo o mais novo prefeito da história da cidade a tomar posse do cargo.

Primeiro pauferrense eleito:

Paulo Diógenes Pessoa foi o primeiro prefeito pauferrense (natural de Pau dos Ferros) eleito pelo voto direto, em 1958 (1958-1962). Licurgo Nunes foi o primeiro prefeito eleito pelo voto direto, seguido de José Fernandes de Melo, naturais de Luís Gomes e Currais Novos, respectivamente.

Diferença de votos:


Nilton Figueiredo e Maria Rêgo venceram as eleições do ano 2000 com a maior diferença de votos da história da política de Pau dos Ferros, foram 2.282 votos de diferença sobre os candidatos opositores, Getúlio Rêgo e Aliatá Chaves.

Governador:



O único pauferrense que foi governador do RN foi Rafael Fernandes, em 1935. Governou de 1935 a 1943. No período do governo de Getúlio Vargas.

Vice Prefeita:



Maria Rêgo, foi a primeira política a ser vice-prefeita por duas vezes: 1992-1996 e 2000 a 2004.

Vice-Prefeita:


Zélia Leite, além de empatar o feito de Maria Rêgo, sendo vice-prefeita por duas vezes, agora é a primeira da história a ser eleita vice-prefeita duas vezes de forma consecutiva.

O campeão de mandatos de prefeito:



José Fernandes de Melo foi o primeiro a conseguir três mandatos de prefeito na cidade de Pau dos Ferros: 1953-1958, 1973-1976 e 1983-1988. Depois Nilton Figueiredo atingiu a marca e agora, Leonardo Rêgo.

Mais mulheres na câmara: 

Tercia Batalha, Maria de Jesus, Socorro Pontes e Maria do Socorro de 1993-1996 e 1997 a 2000, formaram o maior número de mulheres na câmara, 4. Na eleição de ontem caiu de 3, para somente uma vereadora, valendo salientar o que número de vereadores subiu para 11, pela primeira vez.

Abstenções: 

Em número bruto, a eleição que teve o maior número de abstenção foi em 2012: 2.595 ausentes.

O maior percentual de abstenção foi em 1996: 15,64%, seguido do ano 2000: 15,20%.

Na eleição de ontem, o número de abstenções foi o menor dos últimos tempos: 1.698, o que representa 8,85% do total de eleitores.

Na soma dos votos nulos e brancos para vereador, daria 1093 votos, elegeria um vereador em primeiro lugar, como o mais votado.


Por Manoel Cavalcante

Créditos ao Professor Geraldo Holanda. 



sábado, 6 de agosto de 2016

O TEATRO DE PAU DOS FERROS, UMA LEMBRANÇA -QUE MEXE- COM A GENTE




Década de 90, emergia o fortalecimento dos movimentos sociais contra a política neoliberal instaurada no Brasil. Era um cenário de muitas lutas contra as “privatarias”, o desrespeito aos trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil e falta de apoio as políticas de Reforma Agrária. Época marcada por lutas, entre latifundiários e agricultores, que resultaram em muitos massacres, vitimando muitos trabalhadores.

            Nesse contexto, alguns universitários da província de Pau dos Ferros sentiram a necessidade de resgatar o movimento estudantil no Campus Avaçado “ Profa. Maria Elisa de Albuquerque Maia.” - CAMEAM/UERN.    Dessa forma, movidos pela paixão em arte e cultura, passaram a utilizar a linguagem teatral para abordar e discutir temas sociais e políticos da época, através de oficinas realizadas na própria instituição. Dessas oficinas surgiu o grupo de teatro “Que Mexe” na perspectiva critico-social, com base na filosofia e orientações do “ Teatro do Oprimido” de Augusto Boal. O grupo adotava como estilo o teatro de rua, motivado pelas formações com o ator, diretor e teatrólogo Amir Haddad que defende uma forma mais popular de se fazer teatro.


             A atuação do grupo dentro e fora da universidade era efetiva. Foram produzidas muitas apresentações, uma delas,  “O julgamento da droga”, um texto informativo, crítico e com o tom humorístico que foi apresentada em várias cidades. O financiamento para a produção das peças vinha da generosidade dos professores do CAMEAM e de alguns amigos que faziam algumas doações, a respiração era com aparelhos... A princípio,  os participantes do grupo eram: Conceiçao Bezerra, Joana Alves, Jassira Braz, Rosineide Nascimento, Jairo Campos, Sérgio Varela, Vera Lúcia, Joseane, Neilde, Cleidismara, Magna Carneiro, Luciano Pinheiro, Vandi Mendes, Luciana e Dorinha Souza.  Em seguida, vieram somar aos talentos, Rosa Souza, Francisco Bezerra e o nosso saudoso e querido Israel Vianey que foi escritor, produtor e diretor de vários espetáculos.



            O grupo passou a assumir um estilo voltado mais para o humor envolvendo temas e situações do cotidiano, produzindo três grandes espetáculos: “Humor em três Tempos”; “Que ironia papai” e “As filhas da mãe”. Esse último foi apresentado no Teatro Municipal “Dix-Huit Rosado Maia” na cidade de Mossoró. Várias cidades do RN também receberam os espetáculos. como Alexandria, Agua Nova, Marcelino Vieira etc. Aqui na cidade, o BNB e a AABB foram palco para as peças, assim como as dependências do próprio Campus Universitário. 


Os textos foram escritos por nosso Israel Vianey, eram carregados de humor e de muita classe, pois ele tinha a habilidade de escrever com irreverência, ironia, mas com muita sutileza na forma de fazer graça. Isso é o que podemos chamar de humor inteligente. Muitas de suas frases expressas nas falas das personagens permanecem em nossas mentes, e ás vezes, nos pegamos dizendo: “Se eu fosse escrever um livro, a minha vida dava uma trilogia...”; ou, “...sua pele vai ficar uma seda, com esse tratamento (de beleza) a gente nem morre, meu bem!”; e ainda, “...dívidas, dívidas, você só pensa em dívidas, mamãe!” Eita Vianey que faz falta... 



             O grupo tentou resistir a falta de apoio e incentivo  à arte e à cultura por parte das políticas públicas, mas não conseguiu. Logo, todos tiveram que investir na vida pessoal e profissional e com muito trabalho, foi ficando, cada vez, mais difícil reunir o grupo para produzir e ensaiar os espetáculos.
                                     
                                             

            Hoje, são guardados na memória e recordados com muita saudade os domingos, as noites e madrugadas que o grupo passou junto, trabalhando nas produções dos espetáculos, ensaiando, brincando e, algumas vezes, até se desentendendo, gente é bicho complicado né não?! Mas, no fim, isso faz parte do convívio sadio, criativo e produtivo.



            O -Que Mexe- teve que se mexer por não conseguir sobreviver da arte, hoje existe até reitor de universidade que é ex integrante do grupo, assim como artistas que conseguiram maior expressividade fora de nossa região com participações até em novelas globais. É notável contribuição desses visionários em prol da arte e cultura, para que ambas possam sobrevier ao tempo e a tudo que as oprime. Salve, salve o Teatro de Pau dos Ferros, mesmo sabendo que as cortinas se fecharam e que a ribalta está apagada... 

Por Maria das Dores Alves - Dorinha.

sábado, 25 de junho de 2016

O MULTIARTISTA




Gilvan Fernandes de Lima, o artista mais apurado no meio de todos os artistas apurados. Sensível a todas as linguagens da arte. Nasceu em meados dos anos 50, no mês derradeiro, no quarto dia, o sexto dia de novena... Filho de Dona Isaura da Pensão, ali na Rua de Baixo e seu Tomaz, o do Bar de Tomaz. Fez seus primeiros estudos no Joaquim Correia, mas quando criou asas foi para estudar Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, na cidade de João Pessoa. Depois de graduado, voltou a nossa terra e trabalhou no Hospital Regional Dr. Cleodon Carlos de Andrade, na Escola Estadual Tarcísio Maia, além de clínicas em geral. Atualmente Gilvan reside em Natal e trabalha como psicólogo no Centro Estadual de Educação Especial (CEESP). Sempre se destacou como profissional competente, atencioso e humano. Mas passemos às páginas seguintes...

Gilvan, hoje sexagenário, sempre foi filho da arte. Canta divinamente bem, tem CD gravado, e por muitas vezes foi atração da provinciana noite pauferrense nos anos 90 e no início dos anos 2000, sempre com um repertório aguçado: Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Chico César, Gilberto Gil, Ângela Maria, Jessé, Maria Bethânia, Ivan Lins, Ney Matogrosso, mas pera, faça uma pausa aí: NEY MATOGROSSO... É neste artista que Gilvan atinge o êxtase artístico quando faz sua performance interpretando a obra subjetiva e introspectiva deste ícone da música brasileira. Uma ode ao grande Ney. Na foto abaixo, Gilvan pronto para mais uma performance:



Passando para outra página, Gilvan é um artista plástico de primeira grandeza, nas mais variadas técnicas, pintura, grafite etc... Lembra daqueles muros da Secretaria de Educação de Pau dos Ferros, com lindas pinturas, ele era um dos artistas em questão... Lembra dos muros da Escola Estadual 4 de Setembro? Ele também participou. Amante da arte sacra, não deixou barato e pintou, junto a Etelânio Figueiredo e Emanuel Ferreira, o teto da nossa Igreja Matriz nos anos 90, era a imagem da padroeira: Nossa Senhora da Conceição, uma obra memorável, mas que, como muitas coisas em nossa cidade, foi extraviada e ninguém sabe, ninguém viu... Que pena!

Passando para outra página... Gilvan é maquiador profissional e faz de seus traços nas faces variadas, mais uma vertente de excelência de sua verve. Cantores famosos, políticos, artistas globais, todos já passaram pelos toques precisos do seu pincel. Recentemente, os EUA receberam seus serviços, a Cidade de Dallas lhe recebeu por uma temporada. Nas fotos abaixo, Gilvan maquia a atriz global Titina Medeiros e a cantora Khrystal, ex participante do The Voice.


             
             













                                                                                   

Passando para uma das páginas mais esperadas, vem a colagem, eita, a Colagem... A arte da colagem...


Gilvan parece ter inventado um segmento artístico, ele é simplesmente uma referência nessa arte contemporânea, na qual gravuras inofensivas, sem nenhuma utilidade, de revistas e livros descartados, ganham sentido e vida na sua técnica, é aquilo que Manoel de Barros dizia: -O que não serve para nada, serve para a poesia-, serve para a plenitude artística. Exposições em todo país já receberam suas obras e recentemente, com a exposição -Fragmentos da Alma-, na UFRN, recebeu efusivos elogios de professores e autoridades até internacionais do segmento artístico. Foi no último dia 9 de junho, o que já gerou oficinas ministradas por nosso mestre para alunos do curso de Artes da UFRN.


São verdadeiras obras de arte, oriundos do descartável, um tapa na cara da sociedade consumista e produtora de lixo... Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, é a velha máxima que é seguida por nosso grande artista. Aliás, nosso multiartista... 



Assim é Gilvan Fernandes, cantor, pintor, maquiador, humorista (ele faz pocket show), ator, escritor (é um grande poeta intimista), mestre da arte da colagem, psicólogo respeitado e, acima de tudo, um grande ser humano. E aí, você, pauferrense, conhece as variadas artes de nosso mestre? Já foi a alguma exposição dele aqui em nossa cidade? Já ouviu ou presenciou alguma referência a ele nas escolas do município na disciplina de artes? Sabia da existência dele? Conhece a arte da Colagem? Viva! Viva, nossa mestre! Aplaudido e reconhecido no mundo todo, mas anônimo em sua própria terra! Oremos!


Por Manoel Cavalcante

domingo, 29 de maio de 2016

A NOVA ARTE DE PAU DOS FERROS







Toda e qualquer arte que se faça aqui no sertão de dentro, no interior de nosso interior, por si só, já pode ser considerada marginal, a arte, em sua essência, também é marginal, pois sempre está à margem do sistema, à margem das políticas públicas... é, gente, ser artista é ser revolução, revolução, atentem bem... Re-vo-lu-ção.

Pau dos Ferros do Help Som, de Léo Batista, de Raimundo Círio, de Dodó, de Lourdes Almeida, de Gilson de Bafute, do Sub Grave, agora vê com muita alegria chegar Eliano Silva, mais um Silva desse brasil com letra minúscula... Poeta nato, palavras de força e com direção, este Silva não nasceu no seio das famílias oligárquicas, não vem de um berço do centro cidade, não estudou em escolas particulares, tem o cabelo pixaim, a cor negra, o perfil magro, mas tem o verso certeiro e o canto como arma, apenas o canto... Só o canto.

Nasceu e cresceu no bairro mais carente da cidade, no Manoel Deodato, em meio ao descaso urbano e humano, como diz um poeta amigo meu: mora lá onde acaba dinheiro da prefeitura, mas foi no PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), que aprendeu suas primeiras notas de flauta e despertou e despontou para a música, eita, olhe os programas sociais nos dando um artista e um baita artista. Foi guitarrista do Safra 82, banda de rock da cidade, mas desde 2014 faz carreira solo. O menino do Manoel Deodato é um artista de um calibre diferente, desses que têm cara, que têm posição, que militam, um soldado da ideia.

No ano passado, Eliano gravou o Ecdemomania, a mania de fazer traquinagem, a mania de viajar e se aventurar, este nome difícil dá nome a seu trabalho, um álbum autoral, com algumas parcerias... músicas como "Tão devagar", "Dance, morena", já são hits perenes na mente dos jovens da cidade, dos subversivos, dos amantes da boa música. Tem crítica social, tem lirismo exacerbado, tem literatura entranhada em tudo, aliás, a poesia conversando de perto com as músicas, se confundindo, é uma das qualidades que distingue este poeta da periferia dos demais...

Foi tomando dinheiro emprestado, foi fazendo uma vaquinha, foi com ajuda dos amigos, com muita dificuldade, que este álbum conseguiu sair do estúdio e ainda tem gente que diz que a cultura não precisa de intervenção do Estado, que não precisa de secretaria da cultura nem de ministério, não, não precisa, imagina... todo artista tem uma editora e um estúdio no muro de sua casa e pode produzir com sua própria verba, mas o CD nasceu, veio, está aqui gritando e como ele mesmo diz:

tenho um coração
só não tem dinheiro
mas isso não é problema
pra quem tem o mundo inteiro.

E nessa quinta, 02 de junho, Eliano irá lançar seu trabalho na Pizzaria Água na Boca, à noite, às 20h, contando com a presença de vocês tudim, até porque "a felicidade é uma ditadura"... Viva!

                                    

O CD está ótimo, lindo, com essência, com ineditismo (o mais difícil), com identidade... E comprem, adquiram, é barato demais, dez reados, o artista quer que seu trabalho se espalhe, quer que vire gás e a arte não é brincadeira, é coisa séria...! Salve a nova arte de Pau dos Ferros, salve o grande Eliano, da linhagem de Miró, de Carolina Jesus e tantos outros, mas sem comparar com ninguém, ele é ele e com muita altivez. 

                                    

Boa sorte ao novo bardo pauferrense, saudações culturais e ideológicas! Viva!

Por Manoel Cavalcante 


sexta-feira, 22 de abril de 2016

O NOME DA MINHA CIDADE É PAU DOS FERROS


-Pau dos Ferros? -Sim, Pau dos Ferros. Tenho bussoluta certeza, e bussoluta vem de bússola, que essa pergunta inicial em sinal de estranheza ante a revelação de nossa terra natal, é um episódio frequente quando os irmãos PAUFERRENSES saem para outras regiões do país e até para fora do Brasil, no entanto, quando explicamos a origem do nome, todos fazem reverência à originalidade. É como diz um poeta amigo meu: -Pode até existir um mais bonito, mas igual num tem não. 

Na contramão da identidade de nossa cidade ao menos no nome, nosso Estado é um seio farto e férfil de autoafirmação pessoal, personificação das ações e disseminação das oligarquias, através da invasão de identidade. Temos 167 municípios e destes, cerca de 25 %, um quarto, tem nomes de pessoas, direta ou indiretamente, 34 têm nome próprio como Rafael Fernandes, Marcelino Vieira ou sobrenome próprio como Martins. Outros trazem a alcunha hierárquica como ousadia: Tenente Laurentino Cruz, Senador Elói de Souza e outras 6, trazem o nome indiretamente, o que é pior, pois dá a ideia de posse, que aquela cidade, aquela história, é de uma única pessoa ou de uma única família: Timbaúba dos Batistas, Olho Dágua do Borges, Santana do Matos etc. Homenagens são justas e sabemos da importância de grandes líderes, todavia, por mais perspicaz que seja a pessoa, o ser humano, a influência daquela família, não é de bom grado, colocá-los no topo do ranking, como os maiorais e olhe que muitas vezes nem são. Reverenciá-los de outra forma seria mais coerente. 

Acompanhemos os nomes abaixo:

1. João Câmara
2. Nísia Floresta
3. Afonso Bezerra
4. Almino Afonso
5. Frutuoso Gomes
6. Pedro Velho
7. Ielmo Marinho
8. Governador Dix-Sept Rosado
9. Tenente Ananias
10. Luís Gomes
11. Antônio Martins
12. Pedro Avelino
13. Doutor Severiano
14. José da Penha
15. Felipe Guerra
16. Tenente Laurentino Cruz
17. Coronel Ezequiel
18. Bento Fernandes
19. Martins
20. Coronel João Pessoa
21. Rodolfo Fernandes
22. Messias Targino
23. Senador Georgino Avelino
24. Lucrécia
25. Ruy Barbosa
26. Rafael Godeiro
27. Fernando Pedrosa
28. Francisco Dantas
29. João Dias
30. Rafael Fernandes
31. Senador Eloi de Souza
32. Severiano Melo
33. Major Sales
34. Alexandria

E ainda:

1. Carnaúba dos Dantas
2. Timbaúba dos Batistas
3. Olho Dágua do Borges
4. Alto do Rogrigues
5. Santana do Matos
6. Serrinha dos Pintos

Contudo, nem tudo está perdido, três cidades do Rio Grande do Norte deixaram as alcunhas pessoais e hoje possuem seus novos-antigos nomes com auteti(cidade) e originalidade. Ei-las:

Boa Saúde deixou de ser Januário Cicco (médico) que agora é apenas uma maternidade, por sinal muito conceituada; 

Serra Caiada deixou de ser Presidente Juscelino que, por sua vez, num sabe nem sabia nem onde ficava Serra Caiada. A população escolheu num plebiscito em 2012 com 98,53% dos votos, a favor da troca, ou seja, o nobre Juscelino Kubitschek não recebeu um real de cabimento dos serracaiadenses;

Campo Grande, deixou de ser Augusto Severo após uma manifestação de menosprezo de um familiar do referido patrono, explicitada numa solenidade em Natal, dizendo que era uma cidade minoritária, muito longe e outras asneiras... Um pesquisador da cidade estava presente e fez um abaixo assinado na cidade, que voltou a ser Campo Grande em 1991.

Certa feita, um amigo me confidenciou ser bisneto de Coronel João Pessoa, e mesmo assim, preferia que o nome da cidade fosse Baixio de Nazaré, haja vista aquela pequenita cidade estar localizada em um grande baixio. Belo nome, né não?!

Por falar em belo, Caiçara do Rio do Vento, cidade perto de nossa capital, já ganhou um concurso, certa vez, como um dos nomes de cidades mais belos do país. E com justiça.

Nossa própria Pau dos Ferros, ainda teve como sugestão Vila Cristina, mas não vingou. A cidade de Encanto, antes de emancipada, era Joaquim Correia, um mecenas da educação e grande líder político, hoje é nome do centro cultural em nossa cidade, que inclusive foi construído por ele. Mais justo né não?!

Não obstante a isso, desperdiçamos vários nomes justos, intrínsecos de cada região, de cada lugar em detrimento de nomes pessoais... Que pena.

Felipe Guerra, cidade de belezas naturais, deixou de ser Pedra da Abelha... Algum outro lugar teria uma pedra com o formato de uma abelha? Olha só quão bonitas são as paisagens de Pedra de Abelha:


Antônio Martins antes era Boa Esperança, bonito e singelo, concorda? Alexandria era chamada de Barriguda, em homenagem a Serra da Barriguda, cartão postal do município... Nome que além de exaltar a própria cidade, deixaria todo mundo de bucho cheio, nera? Olha a Barriguda aí:


Rafael Godeiro atendia por Várzea da Caatinga, lindo demais... Rafael Fernandes por Varzinha, Frutuoso Gomes por Mombaça... Rodolfo Fernandes já foi Serrote dos Gatos, Tenente Ananias já foi Água Marinha, Major Sales já foi Cavas, Doutor Severiano: Mundo Novo, Francisco Dantas era Riacho Tesoura, quer nome mais afiado? São infindos os exemplos.

São nomes de políticos, médicos, autoridades da justiça e da polícia que imperam, apenas três nomes de mulheres ou que fazem reverência a ela: Nísia Floresta, Alexandria e Lucrécia. É a velha relação do maior contra o menor, da sociedade patriarcal. Bonito também seria: Vaqueiro Zé do Gado, Agricultor Antônio das Umburanas... Mas, parece sonho que os trabalhadores da terra e das lutas naturais tenham essa honraria.

Ainda existem as cidades com nome de santos da igreja católica, o que desfaz a laicidade do estado, no caso do município, mas nisso nem vamos tocar...

Contudo, respiramos quando vemos nomes em tupi-guarani como Assu, Itaú, Canguaretama, Ipanguaçu, Parnamirim e outros mais... Temos essa vantagem.

Por fim, os pauferrenses só têm a comemorar a identidade do nome, a originalidade do gentílico, lutando sempre em favor da manutenção e valorização da cultura de raiz. Oremos!

Por Manoel Cavalcante (que é contra a existência do povo cavalcantense).