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terça-feira, 8 de agosto de 2017

O POETA E A SAGA DE UM LIVRO


Todo mundo que escreve com intenções de publicar é doido. A escrita é um ato muito intimista, uma terapia para as impurezas da mente, do corpo e da alma. Aliás, a escrita é tanta coisa... O poder da palavra nos leva a mares, poços, açudes ou barreiros nunca dantes navegados. Pois bem, quando nos apossamos desse poder, sonhamos, vamos longe e queremos pregar asas nessas palavras até que elas possam voar para os lares e os corações das pessoas fazendo com que elas despertem a alegria, a tristeza, a saudade e um turbilhão de energias que estão aglomerados nos porões do espírito. Para os seres que escrevem, hoje o meio virtual pode disseminar sua arte para todo o mundo, mas isso não consegue desformatar, desconfigurar o sonho de ver suas palavras com as asas de um Livro. Ah... Um livro... E é isso que esse cabinha de chapeuzinho de couro de bode se mete a fazer, um livro. Um livro de poesia popular, que fala da gente, de nossos costumes, de nosso falar, de nosso cotidiano, que vai do poema matuto a academia, ao científico.

E quem é esse cabinha de chapéu de couro de bode? Esse cabinha é Robson Renato, um poetão, um jovem que nasceu em Pau dos Ferros, e está prestes a fazer 29 anos. Filho de Chico das Redes, (vulgo Francisco Cabral) e Vera Lúcia. Hoje já é pai de Natália e João Miguel, graduado em Geografia, professor e funcionário público municipal. Destaca-se na declamação pela desenvoltura e no seu ofício de professor por levar o cordel como mais uma alternativa de aprendizagem. O homem é uma potência. Nasceu e se criou correndo na Rua Mano Marcelino, rua em que eu morei e estudei, ou seja, somos quase do mesmo terreiro poético. Jogamos bola juntos, corremos juntos, brincamos juntos e não vai ser agora, que inventamos essa doidice de ser poeta, que vamos nos distanciar. Mas como asssim?

Para lançar seu trabalho, Robinho está fazendo um evento de primeira grandeza, um festival cultural que tem por nome Festival Versos e Canções, e está trazendo a nossa cidade uma programação extensa de nomes de peso nossa cultura, um prato cultural apetitoso, de altíssima qualidade para deleite de nossos munícipes e de nossa comunidade. Nomes como Antônio Francisco, Francisco Fernandes, Jadson Lima, Edcarlos, Acrízio de França e tantos outros vão abrilhantar a festa. Vão perder?

A FESTA

O festival ocorrerá no próximo sábado, dia 12 de agosto, na Loja Macônica Manoel Reginaldo, ali por trás da Escola 31 de Março, no bairro Paraíso, começará às 21h, os ingressos para a entrada custam R$ 20,00 e toda renda será revertida justamente para que? Adivinhem... Para a publicação e lançamento do seu trabalho. As senhas estão sendo vendidas no Quixote Sebo Café, no CAMEAM com Dona Fátima Diógenes, no Fórum com Gildemar e na Escola Dr. José Fernandes de Melo com a diretora Bethânia, além de ser encontrada, é claro, com o próprio poeta. Nós artistas fizemos uma corrente para ajudar ao nosso poeta nessa empreitada e estaremos lá prestigiando-lhe com todo o entusiasmo possível.


A TRAJETÓRIA DE ROBSON COMO POETA

Nosso poeta começou a tomar gosto pela poesia incentivado pelos seus pais, o meio em que se criou, perto da cantoria, perto do cordel, perto de nossas raízes, fez com que ele despertasse sua verve. A escola, mais especificamente a Escola Estadual Tarcísio Maia, motivado pela professora Ceição, foi de fundamental importância para ele começar a rabiscar seus primeiros versos. Quando passou para o ensino superior, passou a exercitar a poesia com fins pedagógicos e hoje, meteoricamente é um dos nomes principais da poesia de nossa região. Escreve poesia matuta e científica. Escreve trova, soneto, sextilha, canta, toca violão, é um caba invocado mesmo. Outra página linda em sua biografia, é sua filha Natália, famosa por suas declamações que fez com que ela viajasse para participar do Programa Encontro, apresentado por Fátima Bernardes, na rede globo. Também incentivado pelo seu pai, Natália traçou os mesmos caminhos paternos aqui já citados e entre uma travessura e outra solta uns versos com sua voz inocente e meiga, para nosso deleite.


O PROJETO

Robson e Francisco Fernandes, nosso Chico Melodia, entusiasmados pela chama da poesia, começaram a pensar nesse projeto. O de lançar o livro e de como lançar. Nesse sentido, vislumbraram a realização de um evento em prol da ideia. Tudo foi tomando corpo, foram surgindo alguns caminhos e o poeta saiu das páginas para ir à rua, com seu plano de mídia debaixo do braço, junto a Francisco, para buscar chão para os pés. Conseguiu, graças a Deus, alguns parceiros de verdade, mas levou aqueles nãos, uns compreensíveis e outros dignos de pena, essa parte eu não poderia escrever, mas enfim, é bom que as pessoas saibam o quanto olham para a gente com olhos atravessados, com conceitos errados e que tapinha nas costas não resolve nem significa muita coisa, achar a poesia linda e sorrir sadicamente é algo que não nos acerta, nós buscamos a essência e a verdade das coisas. Ou melhor, nós queremos mostrar ao menos nossa verdade, como diria Quintana. Para deixar de lado os espinhos, o projeto estar aí, pronto, prestes a ser realizado e nós estaremos todos lá, assim como estaremos no futuro lançamento do livro. De mãos dadas em nome da cultura. Os patrocinadores estão sendo muito bem divulgados e desde já todos nós que fazemos cultura agradecemos.

Por fim, nosso encontro será sábado, às 21hrs, na Loja Maçônica Manoel Reginaldo... Quem não for, não brinque mais comigo não. Viva Robson Renato! Avante!

Por Manoel Cavalcante




segunda-feira, 26 de junho de 2017

E LÁ SE FOI ZÉ BONGA... CONSERTAR OS SAPATOS DE DEUS


Hoje, 26 de junho, Pau dos Ferros amanheceu descalça, pois ontem (25), São Pedro abriu as portas do céu para José Oliveira da Silva (81 anos), vulgo não, conhecido e maciçamente conhecido como Zé Bonga. O sapateiro da cidade. O beque do time de Pau dos Ferros. O porteiro do Estádio 9 de Janeiro. 

Olhar sério, poucas palavras, mas firmes como cola quente de sapato... Zé Bonga nasceu em nossa cidade em 1935, passou uma temporada em Brasília, porém retornou a Pau dos Ferros e, apesar de ter começado a trabalhar no ofício de pedreiro, foi como sapateiro que ele se tornou uma lenda viva de nossa cultura. Não há nenhum pauferrense, de meados do século XX até os dias atuais, que tenha vivido alguns fiapos de dias em nossa terra, que não saiba quem é Zé Bonga. Eu desafio! Bolsas, sandálias, tênis, chinelos, sapatos, chuteiras, patins, cinturões, bolas de futebol, futsal, luvas de vaqueiro, perneiras, gibão, selas, tudo passou pelas mãos de Zé, tudo que seja de couro e/ou que se calce ou se vista, ele passava a agulha ou a cola. O homi era bom. E num tinha infeliz que botasse um defeito.

E de onde vem o Bonga, Zé? Nosso sapateiro era zagueiro do time da cidade, o Clube Centenário Pauferrense, CCP. Conta-se que devido a existirem apelidos parecidos na equipe como o do craque do time, Bobô, assim como também Bobó, Zé ficou com o Bonga para carregar por toda a vida e fazer parte da história de todos os pauferrenses. 

A moral e a popularidade de Zé Bonga eram tão grande que ele já entrou para as páginas da literatura, para a imortalidade dos livros... Citado num trecho, como personagem do livro "Quem matou Odilon Peixoto", do santanense José Sávio Lopes. O livro, por sua vez, proseia sobre uma história ocorrida na década de 50, na Serra de Mundo Novo, hoje Dr. Severiano, motivo de matérias vindouras, eis o trecho: 

"O Tenente Ungido, conhecido por sua competência em desvendar os mais escabrosos crimes da capital. Era uma questão de honra para as autoridades coibir as ações como a então ocorrida. O sertão não poderia ficar à mercê de bandidos.
                                                                 ****
Enquanto boatos sobravam nos botecos, passava de uma semana o processo de investigação para desvendar o assalto do Fomento, e nada de pistas.

De boato em boato, Zé Bonga foi inquirido para depor.

-Doutor, eu não sei de nada. Isso é futrica desse povo que não tem o que fazer. Eu sou um pobre sapateiro, trabalho ali naquele beco estreito, à direita de quem sai do cinema. Nas horas vagas sou "beque" do time aqui de Pau-Ferrado.

-E que "beque", Tenente! Aqui em Pau-Ferrado se diz que o "centefor" que dividir bola com Zé Bonga, vira defunto ou carniça! - sem pedir permissão, interrompia Nonato Vaqueiro, o escrivão que reduzia a termo o depoimento.

Sem nada acrescido aos depoimentos tomados, o Tenente Ungido começou a pensar no convite que recebera naquela tarde."



Nosso Zé encantou-se às 13h de um domingo provinciano, bem distante daqueles domingos fervidos pelo sol e pela animação dos nossos munícipes, desportistas de toda a região, propícios para o futebol dominical, os jogos da nossa Sociedade Esportiva Pauferrense. "Vai pro jogo do Sociedade?" E ao chegar ao estádio, quem estava na portaria para receber seu ingresso com aquele jeito simpático de ser? Seu Zé Bonga! O sapateiro que não arredava o pé de nosso esporte, o zagueiro que fazia marcação cerrada em todo mundo, o costurador de costela de bola, o ajeitador de sapato que andava com as sandálias da humildade, o ganhador do pão de cada dia honestamente. Que o autor do universo possa receber, em seus braços, este homem simples, que é a riqueza da cultura de Pau dos Ferros! Salve Zé Bonga!


Por Manoel Cavalcante




sábado, 13 de maio de 2017

LÁ VEM A FURIOSA - BANDA DE MÚSICA DEPUTADO ANTÔNIO FLORÊNCIO DE QUEIROZ




                                                                                                          Foto cedida ao blog, ano de 1994.

Começando lá nas profundezas da história, no fundo da cumbuca, o primeiro registro da existência de Banda de Música na cidade de Pau dos Ferros, deu-se nos anos de 1907 a 1908, há 110 anos... Quando incentivados pelo Coronel Joaquim Correia, chefe político local, e o juiz de direito Dr. Horácio Barreto, os pauferrenses mais privilegiados financeiramente decidiram comprar instrumentos para formação da Banda de Música da cidade. No entanto, a referida corporação teve vida efêmera de praticamente dois anos e os instrumentos ficaram abandonados, em estado de conservação deprimente com o passar dos anos. Na época, a compra foi de 12 a 14 instrumentos e tudo custou 1 conto de réis e pouco. Tudo isso, ou só isso, causaria uma dos episódios mais sangrentos de nossa história... Caminhemos, pois.

Em 1918, Tertuliano Ayres, membro da antiga Banda, resolve reativá-la e ao lado de Horácio Bernadino, outro antigo membro, reuniram jovens solteiros, livres e em total clima lúdico e de festa, para fazer renascer a Banda da cidade. Na época, o chefe político ainda era Joaquim Correia, coronel de prestígio inabalável. A corporação acompanhava os eventos políticos do então mandatário local e tudo transcorria na mais tranquila normalidade. Apenas um integrante não acompanhava as apresentações quando havia cunho político. Nas demais apresentações, era sempre um clima de festa, todos tocavam por prazer e não como meio de vida.

Em 1919, A Banda de Música serviu como pretexto e pano de fundo para uma empreitada contra o Coronel Joaquim Correia. Era o plano dos Fernandes de dominar o Oeste Potiguar, e Pau dos Ferros era o lugar que mais contrariava essa ambição face à alta credibilidade de Joaquim Correia, adversário dos Fernandes. A única alternativa era as armas, já que por meio do voto ou do povo isso não ocorreria. Entonces, partiram para o confronto direto e os instrumentos da banda de música foram o motivo para a reunião dos dois grupos, motivo torpe, inválido, diante da orquestrada ação de cunho político que estava por trás de tudo. Tudo ocorreu no dia 3 de abril de 1919, vidas foram ceifadas e o sangue jorrou em nossa terra, o episódio ficou conhecido como "Hecatombe de 1919" ou "O fogo de Pau dos Ferros", já foi e será motivos de outros artigos aqui por nosso blogue.

Após o sinistro acontecimento do dia 3 de abril de 1919, a Banda de Música de Pau dos Ferros foi fundada oficialmente não se sabe por quem, tampouco tem-se detalhes maiores, mas há o registro legal da fundação da Banda no dia 2 de dezembro de 1919. A partir daí ocorre um vácuo na história de quase 60 anos, até o ano de 1978, quando o ilustre deputado pauferrense Antônio Florêncio de Queiroz doou todos os instrumentos, a Banda foi reativada e, dessa vez, ganharia um novo nome: Banda de Música Deputado Antônio Florêncio de Queiroz. Na época, o prefeito de nossa cidade era Dr. José Edmilson de Holanda, o doutor Zé Dimilson.


                                                                Antônio Florêncio de Queiroz

A partir do ano de 1978 começou uma nova história que perdura até os dias de hoje, desde o primeiro maestro Lourival Vieira e do segundo Lorivaldo Cavalcante Duarte até o mais novo maestro Marcos Maciel, de quem falaremos mais adiante.



HISTÓRICO ATUAL

Pois bem... Vamos aos dias atuais... A Banda resistiu sofrivelmente ao passar do tempo, ao decorrer dos anos, sem sede, sem apoio do poder público, sem prestígio legal, sem respaldo, todo mundo achava lindo sair "pra ver a banda passar", mas ninguém tomava uma atitude que desse o respeito devido que a Banda merecia e merece. A banda foi extinta em 2005, devido a problemas pessoais, organizacionais e outros mais graves como o próprio alcoolismo dos músicos. Em 2011, houve uma apresentação protesto em frente à Escola Joaquim Correia (aquele primeiro incentivador da Banda em 1907, 1908), nas festividades da padroeira do município. Naquela oportunidade, alguns músicos procuraram pessoas influentes de nossa sociedade para dar um apoio a Banda e conseguiram esse amparo principalmente nas pessoas de Nonato Oliveira, nosso Teté, de Joaquim do INSS e  de Raimundo Rêgo, um trio de ferro que foi responsável pelo renascer da Banda em 2012. Teté, desses três, assumiu a linha de frente e até hoje num abriu uma polegada do compromisso que fez com sua paixão pela banda de música, batendo na porta de um e de outro, fazendo desabafo na rádio, pedindo, distribuindo carnês para contribuições avulsas, ouvindo nãos e se acalentando com pouquíssimos sins. Até quando a Banda passa ele sai correndo atrás... Há muitas outras pessoas envolvidas também.

Nonato Oliveira - Teté.

Raimundo Rêgo, Teté  e Joaquim do INSS


SITUAÇÃO REAL ATUALMENTE

Hoje a banda possui 23 componentes, mas já chegou a ter 34 membros. Possui uma sede alugada na Rua Francisco Raulino da Costa, n° 130, no bairro João XXIII. Ensaia nas segundas e quartas-feiras. A Associação Maria Eunice da Silva - Lilia do Padre, é quem responde legalmente pela banda de música e foi reconhecida como utilidade pública há 3 anos, pela lei 1372/14, do dia 15 de janeiro de 2014. A partir daí a Associação que estava e está em dia com seus compromissos, amparada por lei, já estava autorizada a receber dinheiro público, como se encontra até hoje, mas recebeu apenas alguns meses isolados quando respirava por aparelhos.

                                                                                                                              Foto da sede

                                                                                                                          Foto da sede

Em 2016, no ano passado, no dia 06 de dezembro, a lei 1555/ 2016 reconheceu a Banda de Música Deputado Antônio Florêncio de Queiroz como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Município, numa proposição do vereador Gilson Rêgo. 

Hoje e desde a reativação da Associação em 2012, apesar do reconhecimento como utilidade pública, a Banda vive de doações de pauferrenses, de algumas pessoas do comércio que contribuem de uma forma ou de outra, mas mesmo assim, as doações não dão, muitas das vezes, para pagar as despesas mensais de luz, àgua e manutenção dos instrumentos. 23 pessoas estão ativas nas doações mensais, contribuem através dos carnês e algumas pessoas doam avulsamente.

O MAESTRO

O regente atual é Marcos Maciel, que recebe uma quantia simbólica e bote simbólica nisso, de acordo com as possibilidades momentâneas. 


                                                                                                                   Marcos Maciel

Muitos maestros passaram por nossa banda e alguns merecem destaque como Barbosa de Menezes, que foi o primeiro maestro após a reativação em 2012. Outro importante maestro foi João Batista Ferreira, o "Ferreirinha" ou "João Maestro", que é o autor da partitura do Hino de Nossa Cidade, composto por Francisco Bezerra no ano de 1991. Atualmente João Maestro reside em Luis Gomes.


                                                                                                                 João Batista Ferreira

Dos integrantes, há membros de todas as idades, desde os mais jovens, aos mais idosos. O caçula da turma é Ícaro Teodoro, com 14 anos, mas existem membros de 15, 16, 17 e 19 anos.

                                                                                                                      Ícaro Teodoro

O mais velho da turma, é seu Benjamim Cavalcante, 89 anos, que toca Sax Alto, uma maravilha, né não? Seu Benjamim além de ser o mais antigo da Banda na formação atual, ingressou na Furiosa a convite de seu irmão Lorivaldo Cavacante, o segundo maestro da banda, no pós 1978.


Que todos os músicos se sintam representados nesses dois colegas, pois do que seria a Furiosa sem os músicos?

A FURIOSA

O apelido de Furiosa tem várias versões de nascimento, o que é bem válido, pois não é somente a banda de nossa cidade que é chamada por esse nome. Alguns membros contam, numa versão mais explicativa, que foi como forma de adjetivar a banda, em sua forma de tocar, que mesmo com pouco componentes fazia apresentações eloquentes, altivas e levava o público ao delírio.


Numa versão mais folclórica e saudosa, relata-se que Chiquinho da Farmácia, nos anos de 1978, 1979, soltou o grito quando viu que a Banda vinha descendo a rua da independência: "Lá vem a Furiosaaaa!" E desde então, ficou conhecida por esse nome.



Até hoje, dia 13 de maio de 2017, dia de Fatinha de Portugal, nossa Furiosa vive de doações, no entanto, há uma luz no final do túnel que indica que a Banda começará a receber o repasse da prefeitura a partir do mês de junho, coisa que nós torcemos muito para acontecer. Os lugares para doações são a Farmácia Independência, Eletrotel, Livraria de Geová Holanda e Sec. da Paróquia. Quem quiser doar é só chegar junto, pois só assim podemos ver "a banda passar cantando coisas de amor"...

Por Manoel Cavalcante






segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

PAU DOS FERROS DE OUTROS CARNAVAIS



"Tô me guardando pra quando o carnaval chegar", como ele não chega, vai demorar quase um ano, vou me debruçar sobre a saudade dos antigos carnavais de Pau dos Ferros, época sadia, de muita animação e muito brilho na alma dos foliões de nossa terra. Na foto acima, a baliza, o estandarte do bloco "Os Inocentes", mais querido de Pau dos Ferros na década de 60. As três moças pousantes na foto são Maria de Fátima Reginaldo, Norma e Maria das Graças. Ainda na década de 60, também ganhava destaque "Os Piratas", cuja rainha Zilma Lira, no ano de 1967, está pousando logo abaixo: 



Nesta década, também existiam AS COLOMBINAS, bloco só de mulheres, assim como também existiram na década de 70 "AS GAIVOTAS" e "AS NAMORADINHAS DO CARNAVAL", três blocos só de mulheres... "OS AVENTUREIROS", "OS LISOS", "MALUCOS CACHACEIROS" e "A POMBA" também foram blocos da época dos anos de chumbo, final da década de 60, pegando a década de 70 e 80. Outro bloco da década de 70/80 era "OS SENEGOID", formado por membros e agregados da família Diógenes, tradicional família do município (Senegoid é Diógenes ao contrário):




A BOMBA DA POMBA

Por falar na Pomba, para não deixar ela voar, contarei uma historinha conhecida na cidade... Era o ano de 1977. O carnaval fervilhava pelas vielas da provinciana Pau dos Ferros. Os dois locais em que os bailes ocorriam eram no CCP (Clube Centenário Pauferrense) e no BNB Clube. Um bloco famoso da época levava o nome de -A POMBA-. E, vários jovens participavam da folia de momo buscando sempre o protagonismo com suas presepadas e fantasias. Pois bem... Numa dessas peripécias, talvez sem maldade nenhuma, foi preparado um artifício para que no momento do desfile dos foliões fantasiados saísse fumaça, elemento muito usado nas festas até hoje... No entanto, a tecnologia da época só permitiu que se colocasse pólvora dentro de uma lata metálica, dizem quem foi  nos tempos em que saiu a primeira cerveja em latinha, mas, poderia ser de óleo de cozinha, querosene, tinta ou outro líquido comumente guardado em recipientes desse tipo. Todavia, o negócio deu ruim... O artifício que iria abrilhantar o momento acabou causando um grande transtorno. Explodiu. A lata explodiu. Estilhaços atingiram o grande conglomerado de pessoas e houve corre-corre, confusão, gritaria... Muita gente foi levada ao hospital, com pedaços de metal entranhados em todo o corpo. A polícia foi acionada e alguns valentões coronelistas que fazem justiça com as próprias mãos também quiseram achar e punir os culpados, porém todos se espargiram pelo tempo da mesma forma que a fumaça era para se espargir, ou, melhor dizendo, da maneira que os pedaços de lata voaram. Os culpados não foram elucidados, o crime foi prescrito e vocês fiquem quietos, não contem nada a ninguém, coloquem uma pedra em cima dessas palavras. Por mim, eu estou calado, eu não vou dizer mais é nada.

AS RAINHAS

As festas para a escolha da Rainha de cada bloco eram realizadas 30 dias antes do carnaval, para  ter tempo de preparar tudo e quando chegar no dia, a Rainha desfilar junto com o melhor folião pelas ruas da cidade no chamado Zé Pereira, cortejo carnavalesco tradicional, ao som das marchinhas, das bandas de Uiraúna, Luís Gomes e das charangas em geral. Na foto abaixo, Marta Pontes, Marta da 36, vereadora do município por 2 mandatos e ex-secretária de cultura: 



Marta foi Rainha dos carnavais de 1979 e 1981 e pertencia ao Ki-Bloco. A expressão "Ki" alguma coisa será encontrada em outros blocos posteriormente, era uma locução bastante comum na época, quando alguém dizia, por exemplo "vou pra festa", logo respondiam: "que (ki) festa?" e assim ocorria em diversas ocasiões.


OS BLOCOS

Desde "Os Inocentes e Os Piratas", os blocos sempre buscavam destaque com suas fantasias, as festas ocorriam até 1987, em dois clubes: BNB e CCP, depois passou a ocorrer no famoso Bar das Almas, que logo após se transformaria em Éden Clube. A direção dos clubes e os organizadores dis bailes e festas disputavam as melhores atrações, o melhor acesso e com o fim de chamar a atenção do maior número de foliões, Help Som (banda local) e Banda Feras de Parelhas ganhavam destaque na animação dos bailes. Abaixo, foto de foliões no BNB CLUBE:


Ocorriam também os "Assaltos", nos quais os foliões pediam e recebiam bebidas e comidas, tira-gostos, petiscos etc das pessoas nas ruas e nas residências da cidade, os mais famosos eram nas casas de Zezinho Henrique, Pedro Oséas, Nilsa Batalha, Zeferino Vilaça, Pedro Diógenes, Pipiu Diógenes, Socorro Lopes, Eusébio da 13 de Maio, Ercílio Martins, Chico de Freitas e tantos outros, nessas casas, a fartura era grande e a festança completa.

Lista de blocos:

Malucos cachaceiros
As gaivotas
Remexer
As namoradinhas do carnavaç
Geração 2000
Cachorra da mulesta
Orgasmo
Adrenalina
Os Kafajestes
Prostituintes
Kibloco
Os senegoid
Os lisos
As colombinas
Os bambinos
A Pomba
Os aventureiros
Salafras
Sarrafos
Alcoofobia
Os inocentes
Coisa nossa
Os Bois Tabacos
Os trombadinhas
H-chados
Infielmente sua
Cabeça feita
Os transa boys
Garotas de ninguém
Os alpinistas
Mistura fina
Toque de malícia
K-Sacana
As inocentes
As kannayadas
Loloveyou
Free Cats
Cobras criadas
Timbalada
Colibri.

Deve ter muito mais, quem souber de mais pode dar um grito. E, para resfrescar a mente dos pauferrenses entusiasmados, agora mostraremos uma galeria de fotos com vários blocos da cidade:


Bloco Mistura Fina



                                                                          Ki-Bloco




                                                                      Os Salafras



                           Integrantes do Bloco Remexer com integrantes do bloco "Os Salafras"




Bloco dos Morais (formado por integrantes e agregados da família Morais)




Ki-Xexo



Doidos Foliões



Pelados no Tanque (Primeiro ano dos Bois Tabacos)





Os Bois Tabacos e as Vacas Loucas





Timbalada

A partir do Bloco Ki-Xexo até os Bois Tabacos, foi uma sucessão até chegar ao ápice: Os Bois Tabacos, bloco que perdurou por 10 anos, era o bloco -da minha rua-, os filhos do leiteiro da rua, de seu Zé Souza, colocaram esse nome original, jocoso e bucólico. O Bloco Timbalada brincou de 1997 a 2006. E, por último, talvez o único bloco remanescente em Pau dos Ferros, o "Cachorra da Mulesta", que sobrevive no bairro Riacho do Meio, faz seus desfiles à moda antiga e enche de alegria e irreverência os moradores daquele bairro:



Olha a self aí... fomos do preto-e-branco à self e assim continuaremos, colocando o bloco na rua, desfilando pela avenida, para quando o fevereiro chegar, saudade não matar a gente. Viva!

Por Manoel Cavalcante

Fotos: Evanda Luzia, Nicinha Morais, Valdívia Lopes, Maria Fernandes, Marta Pontes e Valcileide Souza.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

45 ANOS DA CONQUISTA DO TÍTULO DO MATUTÃO PELO CLUBE CENTENÁRIO PAUFERRENSE

     
                Em pé: Toinho de Sula, Varela, Salvino, Aldemir, Manoel do Dnocs e Aldemir
 
                           Agachados: Derval, Edilson, Bobô, Botijinha e Chiquinho.

Título do Matutão

Pra quem não sabe o sentido
Do nosso estádio altaneiro
Ter o nome singular,
Sendo “9 de Janeiro”
É fazendo uma alusão
Ao título do “Matutão”
Por nosso time guerreiro.

Era nosso grande Clube
Centenário Pauferrense,
O famoso CCP
Que a nossa história pertence,
Deixando estabelecido
Que quando se está unido
Qualquer batalha se vence.

Matutão foi um certame,
Um famoso campeonato,
Disputado pelos campos
Nas cidades e no mato
Reunindo as principais
Seleções municipais
Sem bla-bla-bla nem boato.

O Centenário ficou,
Acuado qual tatu,
Num grupo ruim feito leite
De pele de cururu,
Porém não ficou no quase
Deixou na primeira fase
Almino Afonso e Patu.

Contra Patu, dois empates:
Um a um e dois a dois,
Porém contra Almino Afonso,
Nós vencemos sem complôs:
Um a zero e dois a um
Sem querer fazer jejum
Do que viria depois.

Na fase de mata-mata
Confesso de forma franca
Que ainda teve gente
Que pensou em botar banca
E o CCP, sem ser fraco,
Pôs dois a zero no saco
Do time de Areia Branca.

Depois sem muito trabalho,
Nós goleamos sem dó
O timão mais badalado
Das terras do Seridó
E para ser mais sincero
Sapecamos cinco a zero
No lombo de Caicó.

Aí chegou a final
Com grande expectativa.
De Pau dos Ferros saiu
A equipe competitiva
Para o jogão esperado
Almejando o resultado
De maneira positiva.

O time de Macaíba
Era o nosso adversário,
O Juvenal Lamartine
Em Natal foi o cenário
Sem mídia nem entrevista
Da grandiosa conquista
Que tentava o Centenário.

Dia 9 de Janeiro
Do ano de 72
Aconteceu o jogão,
E sem dizer nem apois,
Nosso time CCP,
Ganhou e fez fuzuê
Pela cidade depois.

Foi 72 o ano
Que aconteceu a final,
Mas ela foi referente
Ao torneio estadual
Que houve em 71,
Tenho a certeza incomum
De forma documental.

Salvino foi o goleiro
E na zaga, pra impedir
Os ataques foi Manel
Do Dnoc’s e Aldemir,
E pra fechar a janela
Butijinha com Varela
Jogavam sem se exibir.
  
Toinho de Sula era
Nosso lateral direito
De Assis era o esquerdo
Dando um balanço perfeito,
Pois ambos não se cansavam,
Defendiam e apoiavam
Correndo de todo jeito.

Chiquinho, ponteira esquerda
Na técnica perfeita
Dava show junto a Derval
Que era o ponteira direita
E pelo meio, sem perda,
Bobô era meia esquerda
Deixando a orquestra feita.

De todos os jogadores
Cada qual foi importante,
Mas os ponteiras e o meia
Tinham papel relevante
Pois detinham a função
De só meterem bolão
A Edílson, o centro-avante.

Os reservas começando
Pelo nome do goleiro,
Nós tínhamos pelo banco
O arqueiro José Monteiro
E Chico de Umarizal
Nunca que levava a mal
Ser reserva o tempo inteiro.

Dedé Bobó, Geraldinho,
Chico da Bomba e Bambão,
Também ficavam no banco
Junto a Cosmo, porém não
Viam a necessidade
De cheios de vaidade
Fazerem reclamação.

Jácio, vindo de Natal,
Do time foi treinador
Armando como um xadrez
Cada peça com primor,
Adquirindo o respeito
Tratando do mesmo jeito
Jogador por jogador.

Sobre a história do jogo,
Primeiro o bicho pegou,
Pois chutaram uma bola,
Nosso Salvino espalmou,
Mas chutaram novamente
E Manel, infelizmente,
Com a mão tirou o gol.

O pênalti foi marcado
Pelo juiz num impulso,
Porém Manoel do Dnoc’s
Mesmo com seu ato avulso
Não foi nem penalizado,
Porque isso, no passado,
Não fazia ser expulso.

O cabra só era expulso
Se fosse um grande alvoroço,
Numa falta violenta,
Na quebrada de um pescoço,
Numa voadora rara,
Num tabefe numa cara,
Numa torada de osso.

Mas voltando para o pênalti,
O cabra fez logo o gol,
Bateu fazendo um a zero,
Porém mal comemorou,
Mal se contentou por dentro,
Pois quando bateu o centro
O Centenário empatou.

O empate também foi num
Pênalti sem discutir
Que foi sofrido e batido
Pelo zagueiro Aldemir,
Mas o gol mais desejado,
O momento mais louvado
Estava logo por vir.

Porque com o jogo empatado,
A partida pegou fogo
E eu confesso sem mentir,
Sem querer ser demagogo,
Que sem precisar rodeio
Chiquinho, sem aperreio,
Num instante virou o jogo.

Com a partida em dois a um,
Já perto de seu final,
O Centenário ficou
De maneira imperial
Tocando a bola e pensando
Naquele momento quando
Vinha o apito triunfal.

Quando o juiz apitou
Foi enorme a emoção,
Em Natal mesmo ficaram
Para comemoração,
Pois Paulo Diógenes fez
Um banquete de uma vez
Para o time campeão.

Porém, antes de ir à festa
Feita pelo deputado
O time inteirinho foi
Andando, mesmo cansado,
Para uma igreja sem pressa
Pra pagar uma promessa
Pelo êxito alcançado.

No outro dia saíram
Num ônibus equipado
Em busca de Pau dos Ferros
Sem saber que o povo honrado
Esperava, na verdade,
Já na entrada da cidade
Na fazenda Boi Comprado.

Quando os campões chegaram
Foi um alvoroço incerto...
Desfilaram na cidade
Em festa num carro aberto
E quem diz sem temer sorte
Que aquela foi, do esporte,
A maior a festa, está certo.

Lá no centro da cidade
Tinha um palanque montado
Repleto de autoridades
E o time homenageado
Pela banda marcial
Ali naquele local
Por populares lotado.

Realmente foi um marco
Que ficou na nossa história
Não foi apenas um título
Não apenas uma glória
Foi lição de amor perfeito
Àquele escudo do peito
Dando mais brilho à vitória.

Por Manoel Cavalcante

Trecho do Livro "Pau dos Ferros à sombra da oiticica"

sábado, 12 de novembro de 2016

PAU DOS FERROS NAS PÁGINAS DOS LIVROS


Pesquisar. Escrever. Editar. Publicar. São quatros elementos árduos que nem todo mundo quer enfrentar, no entanto, todos precisam e, com razão, querem e têm o direito de usufruir... Tudo evoluiu, exceto os olhos do poder público e das entidades públicas e privadas para essas atividades que podem e devem, de verdade, marcar e ser preponderante na formação da identidade e da cultura de um povo. Fazendo com que até se vote melhor... eita! 

Deixando a peixeira de lado, vamos ao ano de 1956... Tempos de muita festa em Pau dos Ferros... Era o centenário de nossa cidade e o bi-centenário de nossa paróquia, a construção do Obelisco... Muita coisa. Nesse ano, parece que a cidade se emancipou literariamente, tornou-se a cidade dos livros. Foi o período em que mais se produziu literatura em Pau dos Ferros, isso mesmo, há 60 anos... Foram 4 produções em um ano só... A imagem acima é do livro "Pau dos Ferros Centenário - Sinopse -" do autor Alberto Mendes de Freitas, Editora Comercial, com prefácio do então promotor de justiça da comarca da cidade, José Fernandes Dantas, o Ministro Zé Dantas, que foi ministro do STF (Superior Tribunal Federal). O autor, Alberto Mendes, é natural de Governador Dix-Sept Rosado, mas residiu em nossa cidade, era funcionário do IBGE, à epoca, funcionário da estatística como se dizia. Depois, fora transferido para São João do Sabugi, onde lançara um livro semelhante, uma sinopse histórica, da cidade de São João do Sabugi.

                                                              Homenagem do autor

No 56 festivo, também fora lançado a "Revista Comemorativa do Bi-Centenário da Paróquia e Centenário do Município". Foram vários os organizadores e colaboradores: Cônego Manoel Caminha Freire (que depois se tornaria monsenhor), Padre Raimundo Caramuru, Dr. José Fernandes Dantas, professor Manoel Jácome de Lima, e José Guedes do Rêgo. A revista trata da história religiosa e eclesiástica da paróquia e dos 100 anos da história da cidade. 


Mais recentemente, no ano de 2015, a editora Sebo Vermelho, de Natal-RN, republicou uma edição robusta e exuberante de nossa revista, fato de grande importância, que só ganharam conhecimento aqueles pauferrenses mais atentos e os mais apaixonados, os que valorizam o babado. Obrigado, Sebo Vermelho, valeu, Abimael!


Outra produção importante, em âmbito acadêmico, foi a monografia de Manoel Jácome de Lima, O alexandriense que marcou história em nossa terra, o Professor Duba, como era conhecido.... Seu trabalho, inclusive, foi usado como fonte bibliográfica para municiar as outras produções.


Dando um pulo histórico de vários anos, no ano de 1987, José Jácome Barreto lançava "Pau dos Ferros", um livro mais completo, com uma perícia apurada, com dados e traços históricos laboriosos. José Jácome era filho do Professor Duba, herdou a missão e a sapiência do pai, seguiu no caminho das letras, lançou também um livro semelhante com um apanhado histórico para cidade de Canguaretama e outro da cidade de Portalegre.


Onze anos depois, em 1998, dois sonhadores apaixonados entraram na empreitada de pesquisar e editar algo sobre nossa cidade... "Pau dos Ferros: Enfim uma cidade", um livro leve, diferente, cheio de peculiaridades, curiosidades das mais inocentes possíveis, recheado de dados históricos, geográficos, econômicos, esportivos, culturais, uma obra que merecia muito mais atenção... Os autores são: Francisco Edivan Silva, hoje escritor renomado na área do empreendedorismo e da motivação, e o Professor José Geraldo da Silva, o professor Geraldo, que uma hora dessas deve estar mexendo nas suas pilhas de papel para organizar e atualizar seus dados sobre nossa cidade. Quer saber algo sobre nossa cidade? Conheça o mestre Geraldo. Ambos serão motivo de outros artigos, assim como todos os autores aqui citados. A obra teve como prefaciante, o grande professor Leontino Filho.


Passando para o ano de 2011 e saindo da área de pesquisa, nos debruçamos sobre duas obras saudosas que deram um tom maior no memorialismo da cidade, escritas pelo autor ocular e presencial, o ex-prefeito de Pau dos Ferros por dois mandatos, José Edmilson de Holanda. "Pau dos Ferros: Crônicas, Fatos e Pessoas", já traz em seu nome o conteúdo dessas duas obras escritas em dois volumes. Nelas, personalidades, tipos folclóricos da cidade, uma Pau dos Ferros arcaica e saudosa em seus fatos e costumes, são proseados pelo grande "Dotô Zé Dimilson", ambas foram editadas com apoio da prefeitura municipal, como deve ser, né não?!



Por fim, deste artigo, não dos livros publicados, porque ainda virão muitos, com fé na energia maior... Nasce em 2013 o "Pau dos Ferros à sombra da oiticica" uma odisseia em versos de cordel. Síntese em septilhas, de versos heptassílabos, com fotos antigas e uma longa pesquisa realizada pelo autor, o poeta Manoel Cavalcante. O livro, numa edição independente, com ilustração da capa feito pelo artista pauferrense Alcivan Marcelo, saiu pela Editora Offset, de Natal, e conta a história da cidade resgatando fatos de 1717 a 2012, usando, obviamente, todo o aparato literário anterior, além de entrevistas e depoimentos orais de grandes conhecedores de nossa história. A obra teve como prefaciante, o mestre Israel Vianey (in memorian), outro grande ícone de nossa terra.


Chegamos a 2016 quase 2017, com esse panorama literário, com um acervo faminto e escasso e com a boa vontade de algumas pessoas em preservar nossa memória. Onde estão esses livros? Nas escolas da cidade? Nas bibliotecas municipais? Os alunos, os munícipes em geral têm acesso a sua própria história? São perguntas intrigantes que todos devem fazer... Ainda existem outros que direta e indiretamente falam, com detalhes ou não, de nossa terra, ei-los: "Massilon", de Honório de Medeiros; "Quem matou Odilon Peixoto?", de José Sávio Lopes; "O Guerreiro do Yaco", de Calazans Fernandes; "Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte", de Kydelmir Dantas e muitos e muitos outros, como o romance Cangaceiros, do grande José Lins do Rêgo, motivo de matéria pretérita aqui.

No mais, é isto.. "E melhor do que isto, só Jesus Cristo, que não entendia de finanças nem constava ter biblioteca".

Por Manoel Cavalcante