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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

45 ANOS DA CONQUISTA DO TÍTULO DO MATUTÃO PELO CLUBE CENTENÁRIO PAUFERRENSE

     
                Em pé: Toinho de Sula, Varela, Salvino, Aldemir, Manoel do Dnocs e Aldemir
 
                           Agachados: Derval, Edilson, Bobô, Botijinha e Chiquinho.

Título do Matutão

Pra quem não sabe o sentido
Do nosso estádio altaneiro
Ter o nome singular,
Sendo “9 de Janeiro”
É fazendo uma alusão
Ao título do “Matutão”
Por nosso time guerreiro.

Era nosso grande Clube
Centenário Pauferrense,
O famoso CCP
Que a nossa história pertence,
Deixando estabelecido
Que quando se está unido
Qualquer batalha se vence.

Matutão foi um certame,
Um famoso campeonato,
Disputado pelos campos
Nas cidades e no mato
Reunindo as principais
Seleções municipais
Sem bla-bla-bla nem boato.

O Centenário ficou,
Acuado qual tatu,
Num grupo ruim feito leite
De pele de cururu,
Porém não ficou no quase
Deixou na primeira fase
Almino Afonso e Patu.

Contra Patu, dois empates:
Um a um e dois a dois,
Porém contra Almino Afonso,
Nós vencemos sem complôs:
Um a zero e dois a um
Sem querer fazer jejum
Do que viria depois.

Na fase de mata-mata
Confesso de forma franca
Que ainda teve gente
Que pensou em botar banca
E o CCP, sem ser fraco,
Pôs dois a zero no saco
Do time de Areia Branca.

Depois sem muito trabalho,
Nós goleamos sem dó
O timão mais badalado
Das terras do Seridó
E para ser mais sincero
Sapecamos cinco a zero
No lombo de Caicó.

Aí chegou a final
Com grande expectativa.
De Pau dos Ferros saiu
A equipe competitiva
Para o jogão esperado
Almejando o resultado
De maneira positiva.

O time de Macaíba
Era o nosso adversário,
O Juvenal Lamartine
Em Natal foi o cenário
Sem mídia nem entrevista
Da grandiosa conquista
Que tentava o Centenário.

Dia 9 de Janeiro
Do ano de 72
Aconteceu o jogão,
E sem dizer nem apois,
Nosso time CCP,
Ganhou e fez fuzuê
Pela cidade depois.

Foi 72 o ano
Que aconteceu a final,
Mas ela foi referente
Ao torneio estadual
Que houve em 71,
Tenho a certeza incomum
De forma documental.

Salvino foi o goleiro
E na zaga, pra impedir
Os ataques foi Manel
Do Dnoc’s e Aldemir,
E pra fechar a janela
Butijinha com Varela
Jogavam sem se exibir.
  
Toinho de Sula era
Nosso lateral direito
De Assis era o esquerdo
Dando um balanço perfeito,
Pois ambos não se cansavam,
Defendiam e apoiavam
Correndo de todo jeito.

Chiquinho, ponteira esquerda
Na técnica perfeita
Dava show junto a Derval
Que era o ponteira direita
E pelo meio, sem perda,
Bobô era meia esquerda
Deixando a orquestra feita.

De todos os jogadores
Cada qual foi importante,
Mas os ponteiras e o meia
Tinham papel relevante
Pois detinham a função
De só meterem bolão
A Edílson, o centro-avante.

Os reservas começando
Pelo nome do goleiro,
Nós tínhamos pelo banco
O arqueiro José Monteiro
E Chico de Umarizal
Nunca que levava a mal
Ser reserva o tempo inteiro.

Dedé Bobó, Geraldinho,
Chico da Bomba e Bambão,
Também ficavam no banco
Junto a Cosmo, porém não
Viam a necessidade
De cheios de vaidade
Fazerem reclamação.

Jácio, vindo de Natal,
Do time foi treinador
Armando como um xadrez
Cada peça com primor,
Adquirindo o respeito
Tratando do mesmo jeito
Jogador por jogador.

Sobre a história do jogo,
Primeiro o bicho pegou,
Pois chutaram uma bola,
Nosso Salvino espalmou,
Mas chutaram novamente
E Manel, infelizmente,
Com a mão tirou o gol.

O pênalti foi marcado
Pelo juiz num impulso,
Porém Manoel do Dnoc’s
Mesmo com seu ato avulso
Não foi nem penalizado,
Porque isso, no passado,
Não fazia ser expulso.

O cabra só era expulso
Se fosse um grande alvoroço,
Numa falta violenta,
Na quebrada de um pescoço,
Numa voadora rara,
Num tabefe numa cara,
Numa torada de osso.

Mas voltando para o pênalti,
O cabra fez logo o gol,
Bateu fazendo um a zero,
Porém mal comemorou,
Mal se contentou por dentro,
Pois quando bateu o centro
O Centenário empatou.

O empate também foi num
Pênalti sem discutir
Que foi sofrido e batido
Pelo zagueiro Aldemir,
Mas o gol mais desejado,
O momento mais louvado
Estava logo por vir.

Porque com o jogo empatado,
A partida pegou fogo
E eu confesso sem mentir,
Sem querer ser demagogo,
Que sem precisar rodeio
Chiquinho, sem aperreio,
Num instante virou o jogo.

Com a partida em dois a um,
Já perto de seu final,
O Centenário ficou
De maneira imperial
Tocando a bola e pensando
Naquele momento quando
Vinha o apito triunfal.

Quando o juiz apitou
Foi enorme a emoção,
Em Natal mesmo ficaram
Para comemoração,
Pois Paulo Diógenes fez
Um banquete de uma vez
Para o time campeão.

Porém, antes de ir à festa
Feita pelo deputado
O time inteirinho foi
Andando, mesmo cansado,
Para uma igreja sem pressa
Pra pagar uma promessa
Pelo êxito alcançado.

No outro dia saíram
Num ônibus equipado
Em busca de Pau dos Ferros
Sem saber que o povo honrado
Esperava, na verdade,
Já na entrada da cidade
Na fazenda Boi Comprado.

Quando os campões chegaram
Foi um alvoroço incerto...
Desfilaram na cidade
Em festa num carro aberto
E quem diz sem temer sorte
Que aquela foi, do esporte,
A maior a festa, está certo.

Lá no centro da cidade
Tinha um palanque montado
Repleto de autoridades
E o time homenageado
Pela banda marcial
Ali naquele local
Por populares lotado.

Realmente foi um marco
Que ficou na nossa história
Não foi apenas um título
Não apenas uma glória
Foi lição de amor perfeito
Àquele escudo do peito
Dando mais brilho à vitória.

Por Manoel Cavalcante

Trecho do Livro "Pau dos Ferros à sombra da oiticica"

sábado, 12 de novembro de 2016

PAU DOS FERROS NAS PÁGINAS DOS LIVROS


Pesquisar. Escrever. Editar. Publicar. São quatros elementos árduos que nem todo mundo quer enfrentar, no entanto, todos precisam e, com razão, querem e têm o direito de usufruir... Tudo evoluiu, exceto os olhos do poder público e das entidades públicas e privadas para essas atividades que podem e devem, de verdade, marcar e ser preponderante na formação da identidade e da cultura de um povo. Fazendo com que até se vote melhor... eita! 

Deixando a peixeira de lado, vamos ao ano de 1956... Tempos de muita festa em Pau dos Ferros... Era o centenário de nossa cidade e o bi-centenário de nossa paróquia, a construção do Obelisco... Muita coisa. Nesse ano, parece que a cidade se emancipou literariamente, tornou-se a cidade dos livros. Foi o período em que mais se produziu literatura em Pau dos Ferros, isso mesmo, há 60 anos... Foram 4 produções em um ano só... A imagem acima é do livro "Pau dos Ferros Centenário - Sinopse -" do autor Alberto Mendes de Freitas, Editora Comercial, com prefácio do então promotor de justiça da comarca da cidade, José Fernandes Dantas, o Ministro Zé Dantas, que foi ministro do STF (Superior Tribunal Federal). O autor, Alberto Mendes, é natural de Governador Dix-Sept Rosado, mas residiu em nossa cidade, era funcionário do IBGE, à epoca, funcionário da estatística como se dizia. Depois, fora transferido para São João do Sabugi, onde lançara um livro semelhante, uma sinopse histórica, da cidade de São João do Sabugi.

                                                              Homenagem do autor

No 56 festivo, também fora lançado a "Revista Comemorativa do Bi-Centenário da Paróquia e Centenário do Município". Foram vários os organizadores e colaboradores: Cônego Manoel Caminha Freire (que depois se tornaria monsenhor), Padre Raimundo Caramuru, Dr. José Fernandes Dantas, professor Manoel Jácome de Lima, e José Guedes do Rêgo. A revista trata da história religiosa e eclesiástica da paróquia e dos 100 anos da história da cidade. 


Mais recentemente, no ano de 2015, a editora Sebo Vermelho, de Natal-RN, republicou uma edição robusta e exuberante de nossa revista, fato de grande importância, que só ganharam conhecimento aqueles pauferrenses mais atentos e os mais apaixonados, os que valorizam o babado. Obrigado, Sebo Vermelho, valeu, Abimael!


Outra produção importante, em âmbito acadêmico, foi a monografia de Manoel Jácome de Lima, O alexandriense que marcou história em nossa terra, o Professor Duba, como era conhecido.... Seu trabalho, inclusive, foi usado como fonte bibliográfica para municiar as outras produções.


Dando um pulo histórico de vários anos, no ano de 1987, José Jácome Barreto lançava "Pau dos Ferros", um livro mais completo, com uma perícia apurada, com dados e traços históricos laboriosos. José Jácome era filho do Professor Duba, herdou a missão e a sapiência do pai, seguiu no caminho das letras, lançou também um livro semelhante com um apanhado histórico para cidade de Canguaretama e outro da cidade de Portalegre.


Onze anos depois, em 1998, dois sonhadores apaixonados entraram na empreitada de pesquisar e editar algo sobre nossa cidade... "Pau dos Ferros: Enfim uma cidade", um livro leve, diferente, cheio de peculiaridades, curiosidades das mais inocentes possíveis, recheado de dados históricos, geográficos, econômicos, esportivos, culturais, uma obra que merecia muito mais atenção... Os autores são: Francisco Edivan Silva, hoje escritor renomado na área do empreendedorismo e da motivação, e o Professor José Geraldo da Silva, o professor Geraldo, que uma hora dessas deve estar mexendo nas suas pilhas de papel para organizar e atualizar seus dados sobre nossa cidade. Quer saber algo sobre nossa cidade? Conheça o mestre Geraldo. Ambos serão motivo de outros artigos, assim como todos os autores aqui citados. A obra teve como prefaciante, o grande professor Leontino Filho.


Passando para o ano de 2011 e saindo da área de pesquisa, nos debruçamos sobre duas obras saudosas que deram um tom maior no memorialismo da cidade, escritas pelo autor ocular e presencial, o ex-prefeito de Pau dos Ferros por dois mandatos, José Edmilson de Holanda. "Pau dos Ferros: Crônicas, Fatos e Pessoas", já traz em seu nome o conteúdo dessas duas obras escritas em dois volumes. Nelas, personalidades, tipos folclóricos da cidade, uma Pau dos Ferros arcaica e saudosa em seus fatos e costumes, são proseados pelo grande "Dotô Zé Dimilson", ambas foram editadas com apoio da prefeitura municipal, como deve ser, né não?!



Por fim, deste artigo, não dos livros publicados, porque ainda virão muitos, com fé na energia maior... Nasce em 2013 o "Pau dos Ferros à sombra da oiticica" uma odisseia em versos de cordel. Síntese em septilhas, de versos heptassílabos, com fotos antigas e uma longa pesquisa realizada pelo autor, o poeta Manoel Cavalcante. O livro, numa edição independente, com ilustração da capa feito pelo artista pauferrense Alcivan Marcelo, saiu pela Editora Offset, de Natal, e conta a história da cidade resgatando fatos de 1717 a 2012, usando, obviamente, todo o aparato literário anterior, além de entrevistas e depoimentos orais de grandes conhecedores de nossa história. A obra teve como prefaciante, o mestre Israel Vianey (in memorian), outro grande ícone de nossa terra.


Chegamos a 2016 quase 2017, com esse panorama literário, com um acervo faminto e escasso e com a boa vontade de algumas pessoas em preservar nossa memória. Onde estão esses livros? Nas escolas da cidade? Nas bibliotecas municipais? Os alunos, os munícipes em geral têm acesso a sua própria história? São perguntas intrigantes que todos devem fazer... Ainda existem outros que direta e indiretamente falam, com detalhes ou não, de nossa terra, ei-los: "Massilon", de Honório de Medeiros; "Quem matou Odilon Peixoto?", de José Sávio Lopes; "O Guerreiro do Yaco", de Calazans Fernandes; "Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte", de Kydelmir Dantas e muitos e muitos outros, como o romance Cangaceiros, do grande José Lins do Rêgo, motivo de matéria pretérita aqui.

No mais, é isto.. "E melhor do que isto, só Jesus Cristo, que não entendia de finanças nem constava ter biblioteca".

Por Manoel Cavalcante








segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CURIOSIDADES HISTÓRICAS DA POLÍTICA DE PAU DOS FERROS

Prefeito:



O primeiro prefeito de Pau dos Ferros foi Francisco Dantas de Araújo. Eleito em 1929, mas deposto na Revolução de 30.

A primeira prefeita mulher:

Eulália Fernandes Bessa foi prefeita de fevereiro a março de 1946. Infelizmente não dispomos de fotos dessa personagem histórica.


Vereadora e eleitora:



A professora Joana Cacilda Bessa, uma apodiense nascida no então povoado e atual município de Itaú no dia 26 de setembro de 1898, filha de José Marcolino Bessa e Emília Rosa Botão. Ela foi a primeira eleitora de Pau dos Ferros, em 1927 e a primeira intendente municipal Potiguar, atual cargo de vereador, eleita em 2 de setembro de 1928, com 725 votos, pelo município de Pau dos Ferros, e tomou posse em 2 de fevereiro de 1929. Supõe-se que a primeira vereadora do país.

A Vereadora mais votada da história:



Marta Maria Pontes Feitosa Chaves, nossa Marta da 36, foi a vereadora mais votada da história, recebendo 1210 sufrágios, o que representou 8,45% do total de votos nas eleições de 2004.


Mais vezes na câmara:



A campeã de mandatos na Câmara Municipal de Pau dos Ferros é a vereadora Tércia Maria Batalha. Foram 7 mandatos de vereadora: 1983, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004 e 2012.

Mais novo prefeito:


Leonardo Rêgo foi eleito em 2004, com 28 anos de idade, sendo o mais novo prefeito da história da cidade a tomar posse do cargo.

Primeiro pauferrense eleito:

Paulo Diógenes Pessoa foi o primeiro prefeito pauferrense (natural de Pau dos Ferros) eleito pelo voto direto, em 1958 (1958-1962). Licurgo Nunes foi o primeiro prefeito eleito pelo voto direto, seguido de José Fernandes de Melo, naturais de Luís Gomes e Currais Novos, respectivamente.

Diferença de votos:


Nilton Figueiredo e Maria Rêgo venceram as eleições do ano 2000 com a maior diferença de votos da história da política de Pau dos Ferros, foram 2.282 votos de diferença sobre os candidatos opositores, Getúlio Rêgo e Aliatá Chaves.

Governador:



O único pauferrense que foi governador do RN foi Rafael Fernandes, em 1935. Governou de 1935 a 1943. No período do governo de Getúlio Vargas.

Vice Prefeita:



Maria Rêgo, foi a primeira política a ser vice-prefeita por duas vezes: 1992-1996 e 2000 a 2004.

Vice-Prefeita:


Zélia Leite, além de empatar o feito de Maria Rêgo, sendo vice-prefeita por duas vezes, agora é a primeira da história a ser eleita vice-prefeita duas vezes de forma consecutiva.

O campeão de mandatos de prefeito:



José Fernandes de Melo foi o primeiro a conseguir três mandatos de prefeito na cidade de Pau dos Ferros: 1953-1958, 1973-1976 e 1983-1988. Depois Nilton Figueiredo atingiu a marca e agora, Leonardo Rêgo.

Mais mulheres na câmara: 

Tercia Batalha, Maria de Jesus, Socorro Pontes e Maria do Socorro de 1993-1996 e 1997 a 2000, formaram o maior número de mulheres na câmara, 4. Na eleição de ontem caiu de 3, para somente uma vereadora, valendo salientar o que número de vereadores subiu para 11, pela primeira vez.

Abstenções: 

Em número bruto, a eleição que teve o maior número de abstenção foi em 2012: 2.595 ausentes.

O maior percentual de abstenção foi em 1996: 15,64%, seguido do ano 2000: 15,20%.

Na eleição de ontem, o número de abstenções foi o menor dos últimos tempos: 1.698, o que representa 8,85% do total de eleitores.

Na soma dos votos nulos e brancos para vereador, daria 1093 votos, elegeria um vereador em primeiro lugar, como o mais votado.


Por Manoel Cavalcante

Créditos ao Professor Geraldo Holanda. 



sábado, 6 de agosto de 2016

O TEATRO DE PAU DOS FERROS, UMA LEMBRANÇA -QUE MEXE- COM A GENTE




Década de 90, emergia o fortalecimento dos movimentos sociais contra a política neoliberal instaurada no Brasil. Era um cenário de muitas lutas contra as “privatarias”, o desrespeito aos trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil e falta de apoio as políticas de Reforma Agrária. Época marcada por lutas, entre latifundiários e agricultores, que resultaram em muitos massacres, vitimando muitos trabalhadores.

            Nesse contexto, alguns universitários da província de Pau dos Ferros sentiram a necessidade de resgatar o movimento estudantil no Campus Avaçado “ Profa. Maria Elisa de Albuquerque Maia.” - CAMEAM/UERN.    Dessa forma, movidos pela paixão em arte e cultura, passaram a utilizar a linguagem teatral para abordar e discutir temas sociais e políticos da época, através de oficinas realizadas na própria instituição. Dessas oficinas surgiu o grupo de teatro “Que Mexe” na perspectiva critico-social, com base na filosofia e orientações do “ Teatro do Oprimido” de Augusto Boal. O grupo adotava como estilo o teatro de rua, motivado pelas formações com o ator, diretor e teatrólogo Amir Haddad que defende uma forma mais popular de se fazer teatro.


             A atuação do grupo dentro e fora da universidade era efetiva. Foram produzidas muitas apresentações, uma delas,  “O julgamento da droga”, um texto informativo, crítico e com o tom humorístico que foi apresentada em várias cidades. O financiamento para a produção das peças vinha da generosidade dos professores do CAMEAM e de alguns amigos que faziam algumas doações, a respiração era com aparelhos... A princípio,  os participantes do grupo eram: Conceiçao Bezerra, Joana Alves, Jassira Braz, Rosineide Nascimento, Jairo Campos, Sérgio Varela, Vera Lúcia, Joseane, Neilde, Cleidismara, Magna Carneiro, Luciano Pinheiro, Vandi Mendes, Luciana e Dorinha Souza.  Em seguida, vieram somar aos talentos, Rosa Souza, Francisco Bezerra e o nosso saudoso e querido Israel Vianey que foi escritor, produtor e diretor de vários espetáculos.



            O grupo passou a assumir um estilo voltado mais para o humor envolvendo temas e situações do cotidiano, produzindo três grandes espetáculos: “Humor em três Tempos”; “Que ironia papai” e “As filhas da mãe”. Esse último foi apresentado no Teatro Municipal “Dix-Huit Rosado Maia” na cidade de Mossoró. Várias cidades do RN também receberam os espetáculos. como Alexandria, Agua Nova, Marcelino Vieira etc. Aqui na cidade, o BNB e a AABB foram palco para as peças, assim como as dependências do próprio Campus Universitário. 


Os textos foram escritos por nosso Israel Vianey, eram carregados de humor e de muita classe, pois ele tinha a habilidade de escrever com irreverência, ironia, mas com muita sutileza na forma de fazer graça. Isso é o que podemos chamar de humor inteligente. Muitas de suas frases expressas nas falas das personagens permanecem em nossas mentes, e ás vezes, nos pegamos dizendo: “Se eu fosse escrever um livro, a minha vida dava uma trilogia...”; ou, “...sua pele vai ficar uma seda, com esse tratamento (de beleza) a gente nem morre, meu bem!”; e ainda, “...dívidas, dívidas, você só pensa em dívidas, mamãe!” Eita Vianey que faz falta... 



             O grupo tentou resistir a falta de apoio e incentivo  à arte e à cultura por parte das políticas públicas, mas não conseguiu. Logo, todos tiveram que investir na vida pessoal e profissional e com muito trabalho, foi ficando, cada vez, mais difícil reunir o grupo para produzir e ensaiar os espetáculos.
                                     
                                             

            Hoje, são guardados na memória e recordados com muita saudade os domingos, as noites e madrugadas que o grupo passou junto, trabalhando nas produções dos espetáculos, ensaiando, brincando e, algumas vezes, até se desentendendo, gente é bicho complicado né não?! Mas, no fim, isso faz parte do convívio sadio, criativo e produtivo.



            O -Que Mexe- teve que se mexer por não conseguir sobreviver da arte, hoje existe até reitor de universidade que é ex integrante do grupo, assim como artistas que conseguiram maior expressividade fora de nossa região com participações até em novelas globais. É notável contribuição desses visionários em prol da arte e cultura, para que ambas possam sobrevier ao tempo e a tudo que as oprime. Salve, salve o Teatro de Pau dos Ferros, mesmo sabendo que as cortinas se fecharam e que a ribalta está apagada... 

Por Maria das Dores Alves - Dorinha.

sábado, 25 de junho de 2016

O MULTIARTISTA




Gilvan Fernandes de Lima, o artista mais apurado no meio de todos os artistas apurados. Sensível a todas as linguagens da arte. Nasceu em meados dos anos 50, no mês derradeiro, no quarto dia, o sexto dia de novena... Filho de Dona Isaura da Pensão, ali na Rua de Baixo e seu Tomaz, o do Bar de Tomaz. Fez seus primeiros estudos no Joaquim Correia, mas quando criou asas foi para estudar Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, na cidade de João Pessoa. Depois de graduado, voltou a nossa terra e trabalhou no Hospital Regional Dr. Cleodon Carlos de Andrade, na Escola Estadual Tarcísio Maia, além de clínicas em geral. Atualmente Gilvan reside em Natal e trabalha como psicólogo no Centro Estadual de Educação Especial (CEESP). Sempre se destacou como profissional competente, atencioso e humano. Mas passemos às páginas seguintes...

Gilvan, hoje sexagenário, sempre foi filho da arte. Canta divinamente bem, tem CD gravado, e por muitas vezes foi atração da provinciana noite pauferrense nos anos 90 e no início dos anos 2000, sempre com um repertório aguçado: Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Chico César, Gilberto Gil, Ângela Maria, Jessé, Maria Bethânia, Ivan Lins, Ney Matogrosso, mas pera, faça uma pausa aí: NEY MATOGROSSO... É neste artista que Gilvan atinge o êxtase artístico quando faz sua performance interpretando a obra subjetiva e introspectiva deste ícone da música brasileira. Uma ode ao grande Ney. Na foto abaixo, Gilvan pronto para mais uma performance:



Passando para outra página, Gilvan é um artista plástico de primeira grandeza, nas mais variadas técnicas, pintura, grafite etc... Lembra daqueles muros da Secretaria de Educação de Pau dos Ferros, com lindas pinturas, ele era um dos artistas em questão... Lembra dos muros da Escola Estadual 4 de Setembro? Ele também participou. Amante da arte sacra, não deixou barato e pintou, junto a Etelânio Figueiredo e Emanuel Ferreira, o teto da nossa Igreja Matriz nos anos 90, era a imagem da padroeira: Nossa Senhora da Conceição, uma obra memorável, mas que, como muitas coisas em nossa cidade, foi extraviada e ninguém sabe, ninguém viu... Que pena!

Passando para outra página... Gilvan é maquiador profissional e faz de seus traços nas faces variadas, mais uma vertente de excelência de sua verve. Cantores famosos, políticos, artistas globais, todos já passaram pelos toques precisos do seu pincel. Recentemente, os EUA receberam seus serviços, a Cidade de Dallas lhe recebeu por uma temporada. Nas fotos abaixo, Gilvan maquia a atriz global Titina Medeiros e a cantora Khrystal, ex participante do The Voice.


             
             













                                                                                   

Passando para uma das páginas mais esperadas, vem a colagem, eita, a Colagem... A arte da colagem...


Gilvan parece ter inventado um segmento artístico, ele é simplesmente uma referência nessa arte contemporânea, na qual gravuras inofensivas, sem nenhuma utilidade, de revistas e livros descartados, ganham sentido e vida na sua técnica, é aquilo que Manoel de Barros dizia: -O que não serve para nada, serve para a poesia-, serve para a plenitude artística. Exposições em todo país já receberam suas obras e recentemente, com a exposição -Fragmentos da Alma-, na UFRN, recebeu efusivos elogios de professores e autoridades até internacionais do segmento artístico. Foi no último dia 9 de junho, o que já gerou oficinas ministradas por nosso mestre para alunos do curso de Artes da UFRN.


São verdadeiras obras de arte, oriundos do descartável, um tapa na cara da sociedade consumista e produtora de lixo... Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, é a velha máxima que é seguida por nosso grande artista. Aliás, nosso multiartista... 



Assim é Gilvan Fernandes, cantor, pintor, maquiador, humorista (ele faz pocket show), ator, escritor (é um grande poeta intimista), mestre da arte da colagem, psicólogo respeitado e, acima de tudo, um grande ser humano. E aí, você, pauferrense, conhece as variadas artes de nosso mestre? Já foi a alguma exposição dele aqui em nossa cidade? Já ouviu ou presenciou alguma referência a ele nas escolas do município na disciplina de artes? Sabia da existência dele? Conhece a arte da Colagem? Viva! Viva, nossa mestre! Aplaudido e reconhecido no mundo todo, mas anônimo em sua própria terra! Oremos!


Por Manoel Cavalcante

domingo, 29 de maio de 2016

A NOVA ARTE DE PAU DOS FERROS







Toda e qualquer arte que se faça aqui no sertão de dentro, no interior de nosso interior, por si só, já pode ser considerada marginal, a arte, em sua essência, também é marginal, pois sempre está à margem do sistema, à margem das políticas públicas... é, gente, ser artista é ser revolução, revolução, atentem bem... Re-vo-lu-ção.

Pau dos Ferros do Help Som, de Léo Batista, de Raimundo Círio, de Dodó, de Lourdes Almeida, de Gilson de Bafute, do Sub Grave, agora vê com muita alegria chegar Eliano Silva, mais um Silva desse brasil com letra minúscula... Poeta nato, palavras de força e com direção, este Silva não nasceu no seio das famílias oligárquicas, não vem de um berço do centro cidade, não estudou em escolas particulares, tem o cabelo pixaim, a cor negra, o perfil magro, mas tem o verso certeiro e o canto como arma, apenas o canto... Só o canto.

Nasceu e cresceu no bairro mais carente da cidade, no Manoel Deodato, em meio ao descaso urbano e humano, como diz um poeta amigo meu: mora lá onde acaba dinheiro da prefeitura, mas foi no PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), que aprendeu suas primeiras notas de flauta e despertou e despontou para a música, eita, olhe os programas sociais nos dando um artista e um baita artista. Foi guitarrista do Safra 82, banda de rock da cidade, mas desde 2014 faz carreira solo. O menino do Manoel Deodato é um artista de um calibre diferente, desses que têm cara, que têm posição, que militam, um soldado da ideia.

No ano passado, Eliano gravou o Ecdemomania, a mania de fazer traquinagem, a mania de viajar e se aventurar, este nome difícil dá nome a seu trabalho, um álbum autoral, com algumas parcerias... músicas como "Tão devagar", "Dance, morena", já são hits perenes na mente dos jovens da cidade, dos subversivos, dos amantes da boa música. Tem crítica social, tem lirismo exacerbado, tem literatura entranhada em tudo, aliás, a poesia conversando de perto com as músicas, se confundindo, é uma das qualidades que distingue este poeta da periferia dos demais...

Foi tomando dinheiro emprestado, foi fazendo uma vaquinha, foi com ajuda dos amigos, com muita dificuldade, que este álbum conseguiu sair do estúdio e ainda tem gente que diz que a cultura não precisa de intervenção do Estado, que não precisa de secretaria da cultura nem de ministério, não, não precisa, imagina... todo artista tem uma editora e um estúdio no muro de sua casa e pode produzir com sua própria verba, mas o CD nasceu, veio, está aqui gritando e como ele mesmo diz:

tenho um coração
só não tem dinheiro
mas isso não é problema
pra quem tem o mundo inteiro.

E nessa quinta, 02 de junho, Eliano irá lançar seu trabalho na Pizzaria Água na Boca, à noite, às 20h, contando com a presença de vocês tudim, até porque "a felicidade é uma ditadura"... Viva!

                                    

O CD está ótimo, lindo, com essência, com ineditismo (o mais difícil), com identidade... E comprem, adquiram, é barato demais, dez reados, o artista quer que seu trabalho se espalhe, quer que vire gás e a arte não é brincadeira, é coisa séria...! Salve a nova arte de Pau dos Ferros, salve o grande Eliano, da linhagem de Miró, de Carolina Jesus e tantos outros, mas sem comparar com ninguém, ele é ele e com muita altivez. 

                                    

Boa sorte ao novo bardo pauferrense, saudações culturais e ideológicas! Viva!

Por Manoel Cavalcante