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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

AS MARCAS DA PASSAGEM DE LAMPIÃO – A HISTÓRIA DA CAPELINHA DA SERRA DA VENEZA

Capela da Serra da Veneza - Foto - Rostand Medeiros

Um dos aspectos mais interessantes da história da passagem do bando do cangaceiro Lampião pelo Rio Grande do Norte, entre os dias 10 e 14 de junho de 1927, não aponta apenas para os relatos de lutas, resistências, arroubos de valentia, covardias, ou sobre o alivio em relação à fuga dos cangaceiros. Foi possível encontrar em alguns locais, interessantes situações originadas pelo medo da passagem de Lampião, que geraram manifestações que se perpetuam até hoje.
Comento especificamente sobre uma ermida encontrada no alto de um promontório denominado Serra da Veneza, próximo ao sítio Garrota Morta, na fronteira entre os municípios de Antônio Martins e Pilões. Nesta elevação granítica, que segundo o mapa da SUDENE chega a atingir a altitude de555 metros, existe uma capela edificada em razão do medo provocado pela passagem do bando.
Primeiramente havíamos recebido uma informação que este pequeno templo fora erguido pelo fazendeiro Manoel Barreto Leite, conhecido na região como “Seu Leite”, proprietário de um sítio conhecido como Veneza e localizado próximo a esta serra. Esta informação dava conta que todos os anos, a família do proprietário rural mandava rezar uma missa como forma de marcar mais um aniversário da libertação de Barreto do julgo do bando. Tanto a construção da capela como a missa rezada anualmente eram parte de uma promessa que devia ser cumprida pela família Leite.
Na tarde do dia 11 de junho de 1927, um sábado, quando empreendia uma viagem, na altura do sítio Corredor, a cerca de dez quilômetros de sua propriedade, o fazendeiro Manoel Barreto Leite, foi capturado pela fração do bando comandado por Sabino. Sua libertação foi orçada em cinqüenta contos de réis. O mesmo só foi libertado em Limoeiro, atual Limoeiro do Norte, no Ceará, após a derrota do bando em Mossoró.
Manoel Leite era um homem conhecido na região, que possuía bons recursos financeiros e extremamente respeitado, por esta razão a existência da capelinha branca no alto da serra homônima de sua propriedade, ficou associada a uma promessa feita pelo fazendeiro seqüestrado.
Mas conforme seguíamos o trajeto, ao perguntarmos sobre este caso, percebemos o desconhecimento das pessoas da região em relação a esta versão. Buscamos apurar os fatos e no sítio Garrota Morta localizado nas proximidades desta serra, encontramos uma senhora chamada Maria Eugenia de Oliveira que esclareceu a verdade sobre esta capela. Esta senhora, pequena na estatura, mas é forte, voluntariosa, possui uma voz firma e olha direto no olho do interlocutor. Maria Eugenia não é daquelas de ficar em casa vendo novelas, já está na faixa dos cinquenta anos, mas todo santo dia trabalha voluntariamente como animadora da congregação católica local. Participando ainda como catequista e ministra da eucaristia.

Dona Maria Eugênia de Oliveira - Foto - Rostand Medeiros

Há alguns anos atrás, por sua própria iniciativa, em meio a este trabalho religioso ela iniciou uma pesquisa histórica com as pessoas mais idosas da sua região, onde apurou entre outras coisas a origem dos nomes dos logradouros, as histórias relativas as famílias da região e os fatos históricos mais representativos do lugar. Mesmo anotando estas informações em um caderno simples, através de sua louvável e comovente iniciativa foi possível conseguir as informações sobre a origem desta capela.
Segundo Maria Eugenia foram as idosas moradoras conhecidas como “Francisca do Uru” e “Francisca da Garrota Morta”, que lhe narraram os fatos que a comunidade local considera um verdadeiro milagre.
Na noite de 10 de junho de 1927, quando Lampião e seu bando se aproximavam da fazenda Caricé, a cerca de oito quilômetros da Garrota Morta, em meio às terríveis notícias, três fazendeiros da região procuraram refúgio junto às rochas da base desta elevação. Essas famílias eram comandadas respectivamente por Manoel Joaquim de Queiroz, proprietário do sítio Garrota Morta, Vicente Antônio, do sítio Cardoso e Francisco Felix, que habitava na pequena zona urbana que formava a Vila de Boa Esperança, atual cidade de Antônio Martins. Na época da passagem de Lampião, todo este vasto sertão pertencia a área territorial do município de Martins.
Durante o período que lá permaneceram, as três famílias não se encontraram e sequer se viram em nenhum momento. Em meio à aflição, estes homens solicitaram junto ao mesmo santo, São Sebastião, que os protegessem contra a ação dos cangaceiros.
No dia posterior o bando chegou próximo a Serra da Veneza. Os cangaceiros ainda palmilharam algumas casas edificadas dentro dos limites da propriedade Garrota Mortas, mas não chegaram próximo aos esconderijos no pé da serra.
Em meio ao sentimento de alivio que crescia, as três famílias que não se viam choravam de alegria e rezavam agradecendo. O mais interessante, segundo Maria Eugenia, mesmo sem existir nenhuma espécie de combinação, os três homens elegeram a mesma penitência; galgar a Serra da Veneza, erguer um oratório e ali depositar uma imagem em honra a São Sebastião.
Logo os fazendeiros e seus familiares foram a Vila de Boa Esperança a treze quilômetros da serra. Como muitos moradores da região, eles foram agradecer na capela do lugarejo, edificada em honra a Santo Antônio, o fato de nada de pior haver ocorrido. Neste local os três homens se encontraram, eram amigo, e logo debatiam sobre os fatos vividos. Para surpresa de todos os presentes, compreenderam que havia ocorrido uma interseção divina com relação a eles terem tido as mesmas idéias e os mesmos pensamentos.

O ponto branco no meio da Sera da Veneza é a capelinha - Foto - Rostand Medeiros

Em pouco tempo eles adquiriam conjuntamente uma pequena imagem de São Sebastião e logo galgavam a Serra da Veneza, para unidos edificarem um pequeno oratório. A ação dos três fazendeiros e as estranhas coincidências chamaram a atenção das pessoas na região. Outros penitentes passaram a subir a serra para pagar promessas. Mais algum tempo a comunidade da Garrota Morta já organizava uma singela procissão e não demorou muito para que o pároco local também viesse participar. Com o passar do tempo começou a ocorrer a participação de pessoas de outros municípios.
Em 1948, vinte e um anos após a passagem de Lampião e seu bando e do pretenso milagre, treze famílias da comunidade ergueram treze cruzes, formando uma via sacra entre a base da serra e o local do oratório. Cada uma destas cruzes tinha dois metros de altura e continha uma placa da família doadora. Percebendo o crescimento desta manifestação, conjuntamente estas pessoas deram início a construção da atual capela, em meio a uma intensa confraternização.
A capela foi construída em um ponto mais abaixo em relação à posição original do antigo oratório. Uma nova imagem de São Sebastião foi levada em procissão e se uniu a que ali havia sido colocada primeiramente.

Serra da Veneza - Foto - Rostand Medeiros

Atualmente a participação popular só cresce. A cada dia 20 de janeiro, inúmeros ex-votos são colocados como pagamento de promessas, velas são acesas e fiéis de vários municípios vêm participar subindo a serra. Em meio a um intenso foguetório, sempre as primeiras horas da manhã, um público que atualmente gira entre 400 e 500 pessoas, comparece ao sítio Garrota Morta e com a tradicional fé característica do nordestino, sobrem a serra. Entre as atrações do evento, sempre ocorrem apresentações de violeiros, que declamam em verso os medos e o pretenso milagre que envolveu as três famílias. Apesar da área onde a Serra da Veneza está situada não pertencer mais territorialmente a Martins, a capelinha está sob a jurisdição da Paróquia de Martins, que tem a frente o padre Possídio Lopes.
O sítio Garrota Morta esta localizado na área territorial do município de Antônio Martins, as margens da estrada que liga as cidades de Pilões e Serrinha dos Pintos. O dia da nossa visita a região estava particularmente quente, em meio a uma região já bem quente. Além do mais eram uma hora da tarde e nosso tempo era curto. Mas sei que vou voltar e subir esta serra.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Em Dezembro, Pau dos Ferros recebe os shows de Fafá de Belém e Arthur Moreira Lima



Após cumprir extensa agenda administrativa na capital do Estado, o Prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rego, anunciou um dos benefícios que formalizou junto ao governo do Estado. Após uma audiência com a Secretária Extraordinária para Assuntos de Cultura, Isaura Rosado, o prefeito obteve a garantia para a realização de mais um grande show na cidade.
Desta vez, será a apresentação de Arthur Moreira Lima. Através do “Um Piano na Estrada”. Esse projeto foi lançado como forma de levar música clássica, universal e brasileira, a população. Ele é instalado em um caminhão-teatro, onde o músico percorre os quatro cantos do Brasil e já foi visto por mais de um milhão de pessoas, e, desta vez, Pau dos Ferros vai ter o privilégio de receber esse grande show.
O espetáculo vai acontecer no dia 8 de dezembro, dia da Padroeira de Pau dos Ferros. Tudo terá início às 19hs, logo após o encerramento da tradicional procissão e será realizado no largo da cultura, no centro de Pau dos Ferros.
O Prefeito, Leonardo Rego, destacou o privilégio que Pau dos Ferros vai ter em receber em sua terra, esse grande show de música e cultura.
Entretanto, antes da apresentação do Projeto “Um Piano na Estrada”, outro grande show vai acontecer em Pau dos Ferros, desta vez, na Praça de Eventos Nossa Senhora da Conceição e será com o show a cantora Fafá de Belém.
A cantora que já lançou dezenas de grandes sucessos estará em solo pau-ferrense no dia 04 de dezembro, naquele que, também, promete ser um dos grandes momentos da cultura da cidade.
Após o anúncio destes dois grandes espetáculos, o Prefeito, Leonardo Rego, destacou que a cidade vai ter, em sua festa de padroeira, dois momentos de grande diferencial, que vai ser a apresentação de dois importantes eventos artísticos.

QUE VERGONHA II



     Ontem teve início a festa de  N. S. das Graças no patronato, e pra minha decepção mais uma vez, os moradores do bairro quase não compareceram. Uma ausência também notada é daqueles que são de movimentos apostólicos, pastorais disso e daquilo, coroinhas e assistentes, que adoram aparecer quando a missa é na matriz ou quando há a visita de alguma autoridade eclesiástica. 
   O bazar está sendo administrado por uma única turma de voluntárias. Cadê o pessoal dos grupos de jovens, do encontro de casais que sempre usam os salões do patronato??? Hoje é a segunda noite, vamos ver....
                                       Vianney
 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O PAU FERRENSE LEANDRO VALDEZ E FÁTIMA BERNARDES

ALUIZIO ALVES EM PAU DOS FERROS-DÉCADA DE 1960


   Aluizio alves introduziu o marketing eleitoral no Rio Grande do Norte, com forte conteúdo populista e doses de espetáculo, a ponto de chegar à Pau dos Ferros, hostil à sua candidatura, montado em um burro, ao estilo Jesus Cristo em Jerusalém. Chamado de "Cigano Feiticeiro" pelos adversários locais, aproveitou o mote ao invés de recusá-lo:"Sou cigano e vim ler a mão de vocês, que precisam de um governador que tire de vocês a fome, a miséria, a falta de educação e energia" dizia aos eleitores. Não deu outra. Venceu a eleição no confronto com o deputado federal Djalma Marinho e na disputa pessoal com Dinarte Mariz. Governou com avanços e mão de ferro.
  

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ZUMBI TINHA ESCRAVOS


                   Zumbi, o maior herói negro do Brasil, o homem em cuja data de morte comemora em muitas cidades do país o Dia da Consciência Negra, mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que eles trabalhassem forçados no Quilombo dos Palmares. Também sequestrava mulheres, raras nas primeiras décadas do Brasil, e executavam aqueles que quisessem fugir do quilombo.
                     Essa informação parece ofender algumas pessoas hoje em dia, a ponto de preferirem omiti-la ou censurá-la, mas na verdade trata-se de um dado óbvio. É claro que Zumbi tinha escravos. Sabe-se muito pouco sobre ele - cogita-se até que o nome mais correto seja Zambi -, mais é certo que viveu no século 17. E quem viveu próximo do poder no século 17 tinha escravos, sobretudo que liderava algum povo de influiência africana.[...]
                       [...] Para obter escravos, os quilobolas faziam pequenos ataques a povoados próximos. "Os escravos que, por sua própria indústria e valor, conseguiam chegar aos Palmares, eram considerados livres, mas os escravos raptados ou trazidos à força das vilas vizinhas continuavam escravos", afirma edison Carneiro non livro Quilombo dos Palmares, em 1947. No quilombo, os moradores deveriam ter mais liberdade que fora dele. Mas a escolha em viver ali deveria ser um caminho sem volta, o que lembra a máfia hoje em dia. "Quando alguns negros fugiam, mandava-lhes crioulos no encalço e uma vez pegados, eram mortos, de sorte que entre eles reinava o temor", afirma o capitão João Blaer . "Consta mesmo que os palmaristas cobravam tributos - em mantimentos,  dinheiro e armas - dos moradores das vilas e povoados. Quem não colaborasse poderia ver suas propriedades saqueadas, seus canaviais e plantações incendiados e seus escravos sequestrados", afirma o historiados Flávio Gomes no livro Palmares. [...]

Não é uma boa noticia já que estamos em plenas comemorações da conciência negra, mas para maiores detalhes veja o livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil  de Leandro Narloch.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011